domingo, 15 de novembro de 2009

Entre lágrimas

Não era a primeira vez que ia dormir triste. Para falar a verdade, já estava se tornando, quase um hábito, o de dormir entre lágrimas. Não era um choro desesperado, mas era choro de saudade, daquela que logo vai acabar, mas enquanto não acaba, é saciado com as lágrimas. Naquela noite, foi diferente. Não eram apenas lágrimas, mas era um choro desesperado. Daqueles que se tem que procurar o ar, para não sufocar. Era choro angustiado, sofrido. Choro de quem sente dor. E não sabe como fazer parar.

Desligou as luzes da casa e foi até o quarto. Antes de começar o banho, começou a chorar. Não sabia o motivo, ao certo, mas não conseguia parar. Tomou um banho lento, mas sempre entre as lágrimas. Por vários momentos tentou se acalmar, mas não conseguia. Não sabia de onde viera àquela dor, e por isso, não conseguia fazer parar. Durante alguns minutos, sentiu-se mais calma. Colocou a roupa de dormir e, no escuro, foi deitar. Mas enquanto olhava aquele teto escuro, sentiu a solidão lhe abraçar. O choro voltou.

Em parte era pela solidão. Em parte, ainda pelo motivo desconhecido. Era aquela angústia. Aquela mesma dor. Queria uma explicação. Queria entender. Mas só conseguia chorar. Abriu a gaveta ao lado da cama, pegou o iPod e começou a ouvir músicas. Chorou mais forte ao ouvir Brian Adams cantando que, quando você ama alguém, as suas noites de sono estão apenas começando. Seria aquele choro, algo relacionado ao amor que sentia? Não sabia. Não conseguia saber. Aquela angustia aumentava pelo desconhecido.

Depois de algumas músicas, desligou o pequeno aparelho. Colocou novamente na gaveta. Não custou muito a dormir. Dormiu como uma criança. Tarde da manhã, acordou com os olhos inchados e a cabeça pesada. Queria que tudo estivesse melhor. Mesmo não sabendo o que não estava bem. Mas não saber era o mais angustiante.


Kari Mendonça

7 comentários:

Dani disse...

As vezes a gente tem dessas coisas. Uma angustia que deixa o peito apertado. E como não se sabe de onde vem, como saber quando vai?

Obrigado pelas visitas e pelas palavras.

Escrever tem dessas coisas, encontrar nos outros pedacinhos da gente.

Bj0 imenso.

Simples Assim... disse...

Um dia eu escrevi que não confiava em que nunca padeceu de mal indeterminado, é um texto que fala justamente sobre isso. Curioso como as pessoas podem sentir coisas tão parecidas, não? Sabe o que eu acho que é isso? Coisa de quem sente demais, de quem mergulha fundo em suas próprias emoções. Talvez pudesse ser esse o nosso epitáfio. Bjs.

Lusinha disse...

A incerteza das coisas também me sufoca.
Bjitos!

Hugo Simões disse...

O amor? O desamor?
Bonito o texto e toda a carga emocional dele Kari!
Espero que a personagem não se confunda com a autora.. se sim, chora não menina!
hehehe
Beijão!

SAL disse...

lindooooooooooo!!!

amei a forma que vc manuseia as palavras!! parabéns!!

qto ao amor, a solidão, as duvidas e a ansiedade q isso tudo causa... que maravilha é poder sentir essas emoçoes todas, umas boas, outras nem tanto... em compensação, concordo que a incerteza é a pior coisa do mundo!!! mas se a gente precisa saborea-la... vamos a luta!!!

bjo

Camila disse...

não sei para voce, mas quando isso me ocorre de ficar chorando até dormir, no outro diia eu acordo m uito bem :)
gosteei do blog

Alexandre Hallais disse...

E a saudade volta com toda a força e devolve lágrimas aos olhos.
A saudade volta sem ser convidada, o pior que trás a tristeza.
A saudade é a falta do amor...

Beijos linda KARI.

P.S. - Vi que Marcos está com outro BLOG.

Beijos para você