domingo, 8 de novembro de 2009

Sobre uma mente incansável

Há quatro dias que eu escrevo algo antes de dormir. Não termino. Apenas começo algo que poderia se tornar uma coisa legal. Ou não. Há cerca de três noites comecei a escrever um poema. Falava sobre o quanto a vida pode nos surpreender e sobre como é bom perceber que chegamos tão longe, quando nós mesmos não imaginávamos que daríamos um próximo passo. Não ficou bom. Não consegui juntar as rimas e nem dar o sentido que queria. Era muita coisa e não consegui passar em um pequeno poema. Lembro que até comecei a fazer um texto sobre o mesmo assunto, mas acabou ficando chato e sem sentido.

Na outra noite, comecei a escrever sobre o quanto algumas coisas são inúteis. “Já teve a sensação de que tudo ou quase tudo que você faz não é necessariamente útil?” O texto começava assim... Mas achei que seria muito bobo falar das coisas banais que todos nós fazemos e que nos dá a sensação de tempo perdido. Um exemplo? Lavar a louça do café da manhã. Assim que você acaba e está tudo limpo e arrumado... Chega a hora do almoço e suja tudo de novo... É um ciclo vicioso, chato e sem graça. Mas que faz parte da vida e que, apesar de inútil, continuaremos fazendo todos os dias.

Ontem, depois de muito tempo sem conseguir escrever nenhum conto, comecei a escrever um. Não terminei, ou não estaria escrevendo isso. Mas falava sobre a história de Maria Luiza e André. Na verdade, era mais um diálogo, sobre como ela contou a sua mãe que iria casar. O problema é que o casamento seria em dois meses. E não, ela não estava grávida. Sabe que até estava ficando legal? Mas ai eu parei no meio do caminho e comecei a fazer uma listra. Lista de pessoas. Resultou em quase 100 nomes. Preciso fazer algo para diminuir, mas eu só coloquei quem eu realmente queria ver...

Enfim, o meu sumiço e completa falta de criatividade e inspiração é que a minha cabeça anda cheia de coisas. Hoje é um daqueles dias que eu só queria sentir ali no cantinho do quarto e chorar. Pra descarregar mesmo. A minha cabeça anda cheia, e, apesar disso cansar, eu não posso reclamar. Eu tenho que fazer um jornal. Não sozinha, mas ainda assim dá trabalho. Também tenho que escrever o script do meu novo programa na rádio (ah! Mudei de horário e estou agora nas segundas e quartas ás 15hr) para poder começar a apresentá-lo... Digamos... Amanhã!

E pior é que eu não paro de pensar na tal lista que fiz... E em decoração e tantas outras coisas... Ora essa! Mais ainda falta tanto tempo. E por que eu não consigo não pensar? Por que não consigo parar de contar os dias pra ele chegar? Ou os dias para ir ao shopping buscar minha encomenda? Ah! E sem falar que agora arrumei outro estágio. Falta ainda arrumar a documentação e então começo. E angustia não ter um dia para começar... Ás vezes eu só queria um descanso desta minha mente incansável.
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Desculpe o incômodo.
Até a volta.
Kari Mendonça

8 comentários:

dani disse...

Acontece comigo também..a gente começa, ensaia algumas palavras ms não conclui o pensamento. Ou pelo menos não consegue traduzir em palavras o tum-tum desordenado do nosso coração.

Ms o bacana é isso, sempre continuar tentando!

E moça, nunca é um incômodo ler suas palavras!

BJ0 grande.

Agostinho Lopes disse...

Interessante esse teu "começar e não terminar". Soa como uma fuga desse momento meio deprê, que "dá vontade de ficar no canto do quarto e chorar". Mas você é maior que isso, tenho certeza!

Ri aqui sozinho, quando falou do "lavar e sujar da louça". O mesmo raciocínio serve para o ato de tomarmos banho e ainda outros hábitos de higiene... hahaha


Mas que bom que essa "vontade de não fazer", serviu de inspiração para "fazer" esse belo texto.

Beijo e boa semana!

Hugo Simões disse...

Sei como é isso. Eu estou num rumo parecido, não consigo dormir sem escrever algo, aí dá no resultado de estar madrugadas acordado, como hoje.. Mas meu caderno de poesias está enchendo e hoje escrevi um conto legal no Rotineiro, quando puder passe lá!
Beijão Kari, obrigado por sempre manter contato!
:*

Daniel Foschetti Gontijo disse...

Pode às vezes ser difícil contar desejos e novidades — ainda mais para os nossos pais. Pode às vezes ser mais difícil mudar a forma como fazemos o banal, o trivial, de forma que o que parece inútil torne-se útil e agradável. E mais difícil ainda, talvez, organizar esse mundo de coisas que borbulha na nossa cabeça. Penso só que esse borbulho me agrada de quando em quando.

Lusinha disse...

Olha Kari, eu bem sei o que é a mente da gente cansar a gente mais do que o resto que está acontecendo... E às vezes é tão difícil freiá-la, né?
Bjitos!

Érica disse...

É quando a gente começa a ter responsabilidades de gente grande. Ai vemos que crescemos, que não somos mais protegidos, e então incorporamos o papel e sentimmos o peso das obrigações. Isso é bom, por um lado, mas é bem triste por outro. Vai dá tudo certo.
Beijos linda!

Cαmilα ♥ disse...

Não entendi muito bem do que se trata, mas se é algo que está se empenhando com tanto amor com certeza valerá a pena.
Te desejo sorte e perseverança


Te quero sempre bem, querida!


BeijOs

Marcus Vinícius da Silva disse...

Tu me lembrou do diário que eu estava escrevendo, e que, por sinal, está parado há bastantes dias já...

Mas hein, eu estou por fora das coisas mesmo... casamento? Quando vai ser?

Beijão!