terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Carta para minha avó

Sei que não vais ler esta carta, mas te escrevo como desejo de te ter por perto. Quero te contar tantas coisas. Senti tua falta, mais que nunca, na última semana. Quis de abraçar forte. De dar um beijo! Quis o teu carinho. Chorei. E hoje, como sempre, a saudade aumentou. A dor fica inexplicável. E eu odeio reviver todos aqueles momentos novamente. Sim! Eu os revivo todos os anos. E sempre choro. Mas, por um momento, eu não vou chorar, eu vou imaginar que estas naquela cadeira de balanço, e vou te contar algumas das coisas que aconteceram.

Vovô está doente e está internado há mais de 130 dias. Ele passou algum tempo na UTI, saiu. Voltou e saiu de novo. Pegou aquela superbactéria, a KCP, mas conseguiu combatê-la. Acredita que o médico deu a ele 10 dias de vida? E isso já faz um mês. Agora ele está bem melhor. Mais lúcido e até falou da senhora esses dias. Disse que tinhas comprado uma televisão igual a do quarto do hospital. Ele leu a dedicatória que fiz a ele e a senhora no meu relatório do TCC. Acho que até ficou emocionado. Sinceramente? Eu não sei se ele se recupera 100%, mas sinto a falta dele.

Natália casou. Sim! Em agosto, e a festa foi aqui em casa. Estava tudo muito bonito. O marido dela, Cláudio, é uma pessoa ótima. Todos gostamos dele e ele gostou também de todos nós. Vovô conheceu ele, mas quando iam sair para jantar, ele acabou cancelando. Não sei o motivo. Mas a casa dela é linda e super arrumadinha. Ela até comprou uma cachorra e parou de se sentir sozinha. Esta tão feliz que seja dá gosto de ver.

Eu acabei a faculdade. Aposto que a senhora teria ido a minha apresentação do TCC, mas eu te imaginei lá. Senti tanto a tua falta! Queria que tu fosses a capa da minha revista. A minha nota foi boa, sabe? Não foi um 10, mas eu sei os motivos e já aprendi as minhas lições nessa caminhada. Da próxima vez farei melhor e te darei ainda mais orgulho. Pode acreditar!

Os meus pais estão bem. Mainha também sente muito a tua falta. Todas as vezes que vamos ao hospital, o coração aperta. Seria bom se tu estivesses aqui. Estarias cuidando de vovô como só tu sabias fazer. Sei que ele também sente falta. Pode não dizer, mas sei que sente. Painho está bem no trabalho e agora viaja menos do que antes. Estamos ajeitando a casa, aos poucos.

Tenho que te confessar que algumas coisas não vão bem. E não gostarias de saber de nada disso, mas não tenho culpa e não posso mudar o pensamento de todas as pessoas. Mas, no que posso, estou fazendo tudo certo. Do melhor jeito. Sinto tua falta, e sei que sentirei até o fim. Te amo, vó!



Kari Mendonça

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Eu já... (Parte III)

Eu já amei quem não me amava.
Já noivei com um churrasco.
E já quase casei com um festaço!

Eu já passei uma tarde inteira na piscina.
Já fui na praia e não entrei no mar.
Já fechei os olhos e respirei o sol.

 
Eu já joguei dominó na praia.
Já esqueci o protetor,
e já torrei o corpo inteiro.

Eu já falei o que não devia.
Já revelei um segredo que não podia.
E já escrevi e-mails gigantes para contar as novidades.

Eu já comprei uma carteira de cigarro*.
Já analisei um pacote de camisinha no supermercado*.
E já comi no MC´Donalds só para tirar uma foto*.

Eu já acordei chorando porque não queria ir trabalhar.
Já dormi chorando porque não tinha estágio.
E já morri de rir com colegas de trabalho.

Eu já fiz amizade com quem nunca achei que faria.
Já sai para jantar com quem jamais imaginaria.
E já fui até na pizaria só para conversar.

Eu já marquei encontros porque senti saudade.
Já escrevi e-mails depois de reler cartas.
E já chorei em frente ao computador.

Eu já vi quem tanto amo morrer aos poucos.
Já quis chegar perto e não cheguei.
Já quis ir embora, e mesmo assim fiquei.

Eu já realizei um sonho.
Já andei de avião.
E já conheci o lugar que eu tanto queria ir.

Eu já quase me engasguei de tanto chorar.
E já achei que fosse morrer de tanto rir.

E claro, eu já fui (sou) muito feliz!


Kari Mendonça
* Situações que passei pelo meu TCC!

domingo, 28 de novembro de 2010

Pontos Cardeais

 
Pontos Cardeias, Isabella Taviani


A correria com o TCC está grande. O trabalho foi até adiado para ser feito com mais cuidado. Enquanto não volto, fica uma música que adoro da Isabella Taviani.

Ah! E aproveito para dizer que fiquei super feliz ao descobrir hoje que o Botando pra fora está no site Portal do Professor. Site do MEC! Emoção total!!!!!

Prometo aparecer, antes do TCC ainda, mas assim que as coisas se arrumarem um pouco mais!


Kari Mendonça

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Promessa

Chegar o final de alguma coisa é sempre um momento reflexivo. Daqueles que nos sentimos sempre arrependidos. Há sempre algo que deveríamos ter feito melhor, ou simplesmente feito. Como bem sabem, a faculdade está acabando. Não o ano letivo, mas o curso em si. E bate aquela tristezinha de que, sem dúvida, a melhor fase da minha vida está chegando ao fim. E com quem eu vou ao barzinho em frente a faculdade nas noites de sexta-feira? Com quem vou comer macaxeira com charque quando der vontade?

E no último final de semana participei do VII Congresso de Comunicação Social. As palestras foram muito boas. Os profissionais foram bem escolhidos. Mas ouvi tudo o que ouvi me fez pensar nos últimos quatro anos que passei dentro da faculdade. E isso me deixou péssima. Sim! Eu deveria ter feito tantas outras coisas. Deveria ter estudado mais, me dedicado mais. Corrido mais atrás. Eu deveria ter pensado mais no presente ao invés de planejar o futuro. Deveria ter olhado mais para aquele tempo ao invés de pensar como seria quando acabasse.

Porque no final das contas, nada vai sair como planejado. E isso não é necessariamente ruim. Mas fez com que eu me desse conta de que eu preciso aprender a viver o presente e só ele. Aprender a me dedicar mais ao que eu quero olhando para o hoje e, no máximo, o amanhã. Nada de olhar ou pensar no próximo ano, ou no mês que vem. Ah não! Deixarei a vida tomar seu rumo. E, sem dúvida, preciso aprender a não deixar as coisas tão para cima da hora.

O final da faculdade já tem dada marcada. A minha banca acontecerá no dia seis de dezembro. Falta pouquinho. E dá aquele super frio na barriga. O coração anda acelerado. As ideias não param na cabeça. E eu, apesar de querer ver tudo pronto, confesso: não queria que acabasse logo. Mas, não posso mudar tudo agora. O que está feito, está feito. E agora, olhando para a frente, eu vou ser melhor. Serei uma profissional melhor do que fui estudante. Fica a promessa, junto ao coração acelerado...


Kari Mendonça

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Uma música


 Música, Vanessa da Mata

Essa música não me sai da cabeça.
E uma música, ás vezes, vale mais que mil palavras...

Kari

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quando Dezembro chegar...

Se você me perguntasse o que eu estou sentindo nesse exato momento, a primeira palavra seria medo. A segunda poderia ser ansiedade. E a terceira, medo. Sim, de novo. Porque o medo que eu sinto é tão grande e por tantas coisas diferentes que eu não poderia citá-lo uma única vez.

Os meus dias estão sendo terríveis. As minhas noites, piores ainda. Eu não paro de pensar no meu TCC e em como eu simplesmente não consigo escrever as matérias como deveria. E mesmo que eu não consiga escrever, o sono não vem, a cabeça não para de girar, de pensar, de ter ideias, de corrigir uma página ou outra. Se consigo dormir, é pior ainda, porque os sonhos são invadidos pela revista (sim, o meu TCC é uma revista) e eu sonho que perdi o pendrive ou apaguei o arquivo ou tudo vai dar errado e não vai estar pronto quando deveria.

E quando estou acordada, eu lembro que a faculdade está acabando. E que a hora de tomar as decisões estão chegando. Apesar de saber bem o que eu quero, eu tenho medo. Medo que eu não consiga ir para onde gostaria. Que eu não arrume nenhum emprego. Que a “profecia” do meu avô de que eu ficaria quatro anos desempregada, realmente aconteça. E que sair da faculdade se torne a pior coisa que poderia me acontecer.

Mas apesar do futuro, dos prazos. O meu maior medo é do Dezembro. Eu gostaria que ele nunca chegasse. Que pudéssemos acabar o ano junto com o Novembro. Que todas as festas de final de ano não acontecessem. Que todos os sábados fossem tirados do calendário. Que o Dezembro de 2010 fosse... Que simplesmente não fosse. Porque só de pensar eu tenho vontade de me esconder. E, ora essa, eu não fiz nada errado. Mas ainda assim eu gostaria de me esconder.

Porque eu estou começando a ter medo das pessoas. É que elas mudam quando o Dezembro chega, já reparou? Todos ficam mais “felizes”, mais “alegres” e “contentes” e eu não quero fazer parte disso. É! Eu sei que é egoísmo. Mas eu não quero ver as pessoas comemorando suas felicidades. Sorrindo. E sabe qual o pior de tudo isso?

É que eu estou acabando a faculdade. E isso é o que eu mais queria. E eu deveria comemorar. Alegrar-me com tudo isso. E festejar a minha vitória! Mas tudo que eu quero é ficar no meu quarto e esperar o Dezembro passar bem rápido. Deixar o Janeiro chegar, fazer aniversário e esperar o que Papai do Céu guardou pra mim. Porque eu realmente espero que Ele tenha guardado uma coisa bem boa, depois de tudo que eu passei (e ainda estou passando)...

E por fim, fica um poema do grande Drummond:

Quem me acode à cabeça e ao coração
neste fim de ano, entre alegria e dor?
Que sonho, que mistério, que oração?
Amor.



Kari Mendonça

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Meus amigos

O que seria da vida sem os amigos? Sim, eu sei que todo mundo adora escrever sobre isso. Mas sabe, é verdade. Os amigos são as coisas mais preciosas que você pode ter. E não importa que você não os veja todos os dias ou não telefone sempre que lembrar deles. Eles não deixarão de ser seus amigos e continuarão ao seu lado de todas as formas. São aqueles amigos que você vai levar para a vida inteira, mesmo que não possa convidá-los para a formatura ou para aquele seu casamento “simples” ou para a sua casa na praia. Porque amigos mesmo sobrevivem.

No último sábado eu fui jantar com os amigos do colégio. Marcamos ás 19:30h e saímos quase meia-noite. Foi uma noite maravilhosa. Alguns não puderam ir, mas todos foram lembrados. Um grupo grande de 12 pessoas. Cada uma mais diferente que a outra. Cada um seguiu seu rumo. Estamos fazendo nossas vidas e não somos mais os mesmos 12 como há quatro anos atrás. Estamos diferentes. Virando “gente grande”. E é tão bom ver a vitória de cada um. Na sua área, na sua vida, cada um está trilhando seu caminho, para quando nos encontramos daqui uns 10 anos, podermos dizer se aquilo ou aquilo outro deu certo ou não.

E é tão maravilhoso poder saber que, mesmo não nos encontrando todos os dias, podemos sempre contar uns com os outros. Basta mandar um e-mail, um telefonema e sai um encontro. Ou só um desabafo e todos te acolhem de como podem. Descobri que eles são mais amigos do que eu pensei e eu fui boba quando tentei me esconder para não ter que lhes contar que falhei em algumas coisas. Ora essa! Eles continuam me estendendo a mão. E continuam me apoiando e... E sendo meus amigos. E a noite foi tão magnífica. Nossa! Há quanto tempo eu não ria tanto...

Estava começando a não lembrar do meu sorriso. Ouvi minhas risadas e foi bom saber que elas ainda estão aqui, mesmo que adormecidas. Estar com eles me mostrou que, não importa o que aconteça, eu não estou sozinha. Eles estarão sempre comigo, para onde eu for. E não importa que alguns estejam lutando por seu sonho, que outros estejam terminando outra etapa da vida e que outros estejam começando uma vida nova, ainda assim, estamos uns com os outros. Mesmo que em encontros rápidos e tempos distantes.

Porque amigos mesmo, esses sobrevivem mesmo quando o colégio acabar, a faculdade passar e a vida acontecer...

Amo demais cada um deles. Cada um dos 11!

Kari Mendonça

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Esquecer. Desamar.

“Eu sou do tipo que ainda compra uma agenda no começo do ano e escreve os acontecimentos do dia só para poder ler alguns anos depois.” Essa frase foi escrita no post de 26 de julho, Eu fico por aqui. Mas é verdade. Eu sou mesmo do tipo que compra agenda e escreve. Esse ano ela tinha um significado todo especial. Queria escrever ali os meus melhores sentimentos, melhores dias e maiores realizações. Queria registrar naquelas 365 páginas o melhor ano da minha vida. Mas não demorou muito e percebi que não era isso que eu estava escrevendo.

Os dias começaram a não ser bons. Passei a escrever sobre o quanto chorei naquele dia ou o quanto tentei não chorar naquele outro. No quanto tentei alguma coisa em vão e em como fiz tudo errado. Mas mesmo assim, eu continue escrevendo. Havia uma esperança em mim de que tudo voltaria ao normal e eu poderia ler futuramente no quanto as coisas foram confusas, mas ainda assim, tiveram um final feliz. E eu tentei. Por mais que as coisas estivessem péssimas, lá estava eu, todas as noites, escrevendo mais um dia ruim. Mais lágrimas.

Até que eu não aguentei mais. Parei de escrever. Percebi que as coisas não melhorariam e eu não teria nada de bom para escrever no dia 18 de dezembro. Decidi que não escreveria mais o meu sofrimento. Mas ainda assim, ás vezes, começava a folhear e ler alguns daqueles dias. E cada vez que lia, mais choro, raiva, revolta. Até que decidi não ler mais. Parei. E então, nos últimos dias eu pensei: “por que eu vou querer ler tudo isso futuramente?”

E então eu me dei conta de que eu não quero ler nada disso. Porque eu não quero lembrar de nenhum desses sentimentos. De nenhum daqueles momentos. Eu quero esquecer tudo. Então hoje, eu peguei a agenda e apesar da forte vontade de ler algumas coisas, eu não li, apenas arranquei página por página até 17 de setembro, quando escrevi pela última vez. Depois picotei uma a uma. E tentei picotar mais o mês de Abril, mas lembrei que Maio foi ainda pior e quis rasgar Maio com mais força.

Pensei em Março e quis amassar, picotar, deixar em pedaços minúsculos. Percebi que rasgar os meses ou as páginas não vai me fazer esquecer, mas uma amiga me disse que ás vezes, a gente precisa descontar em alguma coisa. E eu descontei na agenda. Amanhã queimarei as folhas. E espero que, junto com o fogo, vá tudo que eu estou sentindo. Que com o vento e as cinzas, vão as minhas dores descritas naquelas páginas. E que eu possa, de agora em diante, sentir diferente. Esquecer. Desamar.


Kari Mendonça

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Não só de amor... Mas não sem ele.

Acabo de chegar do cinema. Assisti ao filme “Comer Rezar Amar”. Confesso que não estava louca de vontades de ver o filme, mas, por falta de opções, acabei nele. Por não esperar muito, fui surpreendida. Aprendi que realmente precisamos de um tempo para nós mesmos. Que precisamos do luto, vivido da forma que for, para superar e levantar. E que não importa quão grande seja a nossa dor, devemos sempre estar abertos para o amor (piegas, eu sei, mas foi o que saiu). Que o medo existe mesmo e é ele que torna tudo tão mais bonito. Mas a lição maior que tirei de todo o filme foi de uma parte ali pelo meio em uma frase só.

Calma, eu não sou do tipo que sai contando o filme para quem não assistiu ainda. Em uma parte, ela comenta que não adianta ser infeliz junto de quem se ama só para ser feliz por estar junto. Confuso? Nem tanto! O fato é que é verdade. Não adianta levar uma relação que deixa os dois infelizes só para continuarem na ilusão de que são felizes juntos. Porque, no fundo da alma, ambos sabem e sentem que o outro não está feliz. E por pior que seja a dor da separação, da distância, ás vezes é melhor que a dor de ver a infelicidade de quem você ama, só por estar com você.

E acabei aprendendo que não é só de amor que vive um relacionamento (isso eu já sabia), mas sem ele não há relação que resista. Uma amiga me contou recentemente que o namorado havia dito que não a amava mais. Ela achou que ainda dava para continuarem, pois ambos estavam bem juntos e havia a amizade e o carinho. O sexo. Mas não o amor. E ela tentou, sou testemunha do quanto tentou. Até o momento que percebeu que, apesar de ser maravilhosa a presença dele, ela já não se sentia amada. E isso doeu.

Ela ainda tentou um pouco mais até que não aguentou. Porque companheirismo e carinho jamais poderão se comparar ao amor. Amor é coisa que não se explica. Que se sente e pronto. É coisa que não se diz. Se demonstra. Se faz sentir. Se fala mesmo calado. E quando falta o amor, o silêncio fica chato, a conversa não tem para onde ir, a relação parece sem futuro. Até o momento que um dos dois percebe que também não está havendo presente e é melhor passar pela dor da separação, do distanciamento do que continuarem sofrendo juntos. Sim! Pois aquele que não ama (mas amou) também sente.

E o filme me fez pensar que não importa o quanto esteja doendo ou o quanto estou desiludida com relacionamentos, em algum momento eu vou estar pronta (novamente) para ele, e alguém estará pronto para vivê-lo comigo. E o que me resta é só arrumar dinheiro para viajar, não pelo mundo, mas por esse Brasil lindo e ter aquele momento meu comigo mesma. E, quem sabe, conhecer um Javier Bardem que fale português...



Kari Mendonça

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ser ou não ser feliz?


Em um período da minha vida, lá pelos meus dezessete anos, me surgiu uma dúvida. A frase que eu criei ficou por meses me atormentando. “Afinal, felicidade é um estilo de vida ou um estado de espírito?” Recentemente, no entanto, outras dúvidas surgiriam a respeito da tal felicidade. Uma pessoa “é” feliz (com momentos tristes e/ou infelizes) ou “está” feliz? Depois de tudo eu cheguei a pensar que a felicidade era uma utopia. Que todas as vezes que eu pensei “senti-la” não foi de verdade. Não foi real. Mas então eu estragaria tudo que tive e que vivi e isso não seria justo. Nem comigo, nem com os que estiveram no meu caminho.

E foi quando eu me lembrei dele, do Leoni. Aquele que sempre me faz refletir com suas músicas. E então eu me dei conta que nunca saberemos o momento em que a felicidade estiver presente. Claro que ás vezes ela é visível (no casamento da minha irmã, por exemplo, só de olhar o brilho nos olhos dela, eu vi que aquele era um momento feliz), mas nem sempre. Quer dizer, em meio a dias tristes podemos sim ter dias felizes, momentos felizes. Mas talvez não consigamos percebê-los. Porque esses momentos só serão, de fato, visíveis quando os olharmos depois, através das fotografias. Ou dos e-mails. De uma carta. Uma mensagem. Não importa.

São momentos felizes que nos farão sorrir dias, ou até anos depois. Na última semana, mexi no meu álbum de fotos e a cada fotos dos meus avôs, uma lágrima caiu dos meus olhos. A lágrima era por saber que não poderemos mais ter momentos como aqueles. Mas junto com elas, abri um sorriso e me alegrei ao perceber os tantos momentos juntos que tivemos. E é fato que eu fui feliz cada vez que fomos ao shopping só para tomar um café. Ou quando fomos caminhar no campo de golfe. Ou quando discutíamos antes do jantar. Eu fui feliz em cada um daqueles momentos e hoje eu percebo isso.

E não é porque algumas coisas não deram certo que eu vou desmerecer tudo o que aconteceu. Hoje me perguntaram sobre a “blogosfera” e eu respondi que quase casei por causa dela. Paula ficou surpresa e perguntou se deu certo, eu respondi que não, afinal, não casamos, não vamos casar e não estamos mais juntos. Mas então Érica disse: claro que deu certo, foram três anos que deram certo. E aquilo me fez perceber que, não importa que estejamos separados, pois fomos felizes juntos durante aquele tempo. E eu tenho as fotos para provar (mesmo que sejam apenas as fotos da memória).

“E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz

Em meio a tantas coisas e tantas angústias, uma manhã na praia com grandes amigas me fez perceber que eu sou feliz não importa o quanto esteja sofrendo por algo. E mesmo que eu não consiga sentir isso hoje, as fotos no quarto ou na memória, servirão sempre para me provar que, não importa o quanto as coisas estejam saindo do controle, eu fui feliz e posso estar sendo sem saber (ainda).


Kari Mendonça

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu fico por aqui.

Foram quatro anos. Trezentas e cinqueinta e quatro postagens. Um amor. Várias despedidas. Muitos acontecimentos. Inúmeras lágrimas. Eternos sorrisos. Muita dor. Muito amor. Alguns sonhos. Outras desilusões. Vários amigos "virtuais". Uma amiga que saiu do "virtual" a muito tempo. Inúmeras palavras contra, a favor, elogios e reclamações. Uma vida. A minha vida colocada para fora em cada palavra, em cada post, em todos esses anos. Minha despedida.

Eu poderia dizer que o semestre será corrido. Que tenho um TCC para preparar e não terei tempo com o blog. Mas não seria verdade. Nem mentira. Não seria de todo uma verdade. Despeço-me porque não sei o que dizer. E não adianta ficar dizendo que voltarei mais tarde, que voltarei amanhã ou que voltarei quando tudo estiver bem. Talvez eu até volte. Mas agora eu não tenho o que dizer. Ou até tenho, mas pela primeira vez em muito tempo, eu quero guardar só para mim. Não quero que todos saibam quando uma lágrima cair dos meus olhos. Ou quando eu conseguir aquele emprego dos sonhos.

O blog me ensinou muito. Mas talvez a vida tenha me ensinado muito mais nos últimos tempos. Eu ainda sou daquele tipo que compra uma agenda no começo do ano só para escrever como foram os dias e poder ler anos depois. Este ano eu comprei uma, depois de alguns anos sem comprar. Tinha um objetivo: escrever sobre um dos melhores anos da minha vida. As coisas sairam do controle. Começei a descrever os dias mais terríveis. Tristes. Dolorosos. Cheguei a pensar em parar de escrever, mas por algum motivo, continuo. Ainda espero, antes de dormir escrever que tudo não passou de um sonho ruim.

Mas uma coisa é escrever só para mim. Outra, bem diferente, é escrever para quem quiser ler. Eu não quero mais. Não quero que saibam como andam as coisas. Não quero que saibam das minhas dúvidas. Das minhas esperas. Não quero que o mundo inteiro saiba do que se passa comigo. Preciso aprender a viver a minha vida sem ouvir a opnião de todos. Sem perguntar o que todos acham. E sem dizer a todos o que está prestes a acontecer ou não. Porque uma coisa é dizer para qualquer um que a vida não sai como planejamos e que precisamos seguir em frente. Outra bem diferente é tentar nos convencer de tudo isso.

É que, de repente, pareceu errado dizer tudo que eu sinto. Ou dizer o que penso. O que sonho. O que quero. E, para não ficar poudando as minhas palavras e meus pensamentos, eu vou ficando por aqui. Sentirei uma saudade sem tamanho, pois esse não é mais um blog qualquer, é o meu refúgio. Foi o meu refúgio, meu descanso. Meu poço de desabafos. Meu canto predileto do mundo inteiro. É com lágrimas que me despeço.

Kari Mendonça

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um relato pessoal

A emoção tomou conta de mim. Não é todo dia que se recebe um e-mail que cause tanto impacto. A pouco menos de um mês, recebi um e-mail pedindo o meu texto Um Relato Pessoal, escrito em abril de 2008. Como o blog é bloqueado, para ter acesso a um texto (em mãos, digamos assim) é preciso me pedir, mas isso nunca tinha acontecido, até então. Foi um susto abrir a Caixa de Entrada e me deparar com um comentário de uma professora, Ana Paula, de Minas Gerais, pedindo o texto para levar para seus alunos. Fiquei na dúvida, confesso, mas enviei e pedi um retorno.

Hoje, ao abrir a Caixa de Entrada, encontro um e-mail da Ana Paula, com o retorno do que aconteceu:

“Olá!!! Boa tarde!!!
Conforme sua solicitação estou te dando um retorno sobre como foi o trabalho com seu texto.

Os alunos adoraram...... Os comentários foram bem marcantes... Uma aluna se identificou muito com o texto pois viveu algo parecido com seu avô.

Daí os alunos fizeram suas próprias produções. São alunos do 8º ano (tem entre 12 e 13 anos)!!!
O resultado foi bastante satisfatório!!!”


Eu quase chorei, de verdade. Imagina pensar que vários alunos leram um texto do Botando pra fora? Nossa que orgulho! E mais ainda é pensar que não foi um texto qualquer. Não foi um conto, mas foi, de fato, um relato pessoal. Um texto que causou muito na minha vida. Que afastou pessoas. Que destruiu relações. Mas que ainda assim é importante por ser verdadeiro. Cada palavra e cada vírgula escrita é algo que sinto, senti e vivi. Cada palavra é um pedaço da dor por aprender da pior maneira possível. E hoje, após receber o e-mail da Ana Paula, percebi que é bom demais saber que aquele texto foi importante para tantas outras pessoas.

Obrigada a todos que me visitam.


Kari Mendonça

quinta-feira, 24 de junho de 2010

E quem é aquela no espelho?

Por que fazemos planos? Por que eu faço tantos planos? Não seria mais fácil deixar as coisas seguirem seu rumo e esperar acontecer sem tanta ansiedade e expectativa? Sim! Seria! Mas eu não consigo. Não seria eu se não fizesse planos para que tudo saia do melhor jeito possível. Não seria eu se não passasse noites sem conseguir dormir pensando naquela prova ou naquele primeiro dia de aula. Não seria eu se não tivesse aquele pesadelo de que tudo vai dar errado em cima da hora, quando já está tudo organizado. Porque planejar, organizar e sonhar são tudo que eu sei fazer.

E tem coisa pior do que quando a vida te diz que você, de repente, não pode mais fazer tudo o que você sabe? Porque, simplesmente, não tem mais sentido. Não parece mais o certo a ser feito. E, se eu penso, tento me esconder de mim mesma, porque parece tão errado. Parece que, se alguém descobrir, será o meu fim. Mas então eu me dou conta que apesar de pensar que não precisa ter um fim, ele parece ter chegado antes mesmo que eu percebesse. Sim, o fim dos meus planos. Porque pensar que foram adiados ainda é confuso. Ainda parece incerto. E é na incerteza que meus sonhos parecem errados.

E quem é aquela no espelho? Aquela que tem medo de sonhar. Que já não faz planos como antes. E que já não quer mais organizar nada, mesmo que tudo ao seu redor pareça uma eterna bagunça? Quem é ela? É uma desconhecida que está passagem? E vai demorar muito? Ou veio para ficar? Não sei... Talvez o tempo (sempre ele!) possa dizer alguma coisa...



Kari Mendonça

terça-feira, 25 de maio de 2010

Coisas do Coração



Relacionar-se com alguém, por si só, já é difícil. Afinal, ninguém é igual a ninguém e os pensamentos e ideias são sempre diferentes. As vontades também. Querendo ou não, cada um tem a sua vida, suas prioridades e suas metas. Aprendemos a conviver com pessoas desde pequenos. Se não for filho único, a história começa ainda mais cedo. É necessário aprender a conviver com aquela pessoa completamente diferente de você, que está ali o tempo inteiro, que faz tudo para irritar você e não há opção, é preciso continuar ali aguentando tudo.

Convivemos também com nossos pais, mas essa convivência só começa a ficar difícil mais tarde. Aprendemos a conviver com outros da mesma idade no colégio e assim vão começando as relações e os relacionamentos da nossa vida. Algumas amizades duram a vida inteira. É difícil, mas não é impossível. E não necessariamente há afinidade entre os dois lados. O tempo passa e começamos a conhecer a relação amorosa. Aquela que temos com alguém do outro sexo (minha opção, ok?), que além de ter tudo para ser diferente, é completamente diferente de você.

E mesmo assim você não desiste das relações amorosas. Algumas não dão certo, outras dão tão certo que duram até a morte. Mas o fato é que nunca desistimos delas. E não importa o quão difícil pode ser conviver com alguém que parece nunca entender você, ainda assim você quer continuar ao lado daquela pessoa. E não importa o quão difícil é entender o que o outro pense ou deseje, continuamos lutando por aquela relação. Porque não importa desistir de lutar por ela, qualquer relação é assim, difícil, lembra? Qualquer outro que não seja você mesmo vai dar trabalho.

Discutir a relação é necessário e até saudável. Não o tempo inteiro e nem por qualquer besteira, mas conversar sobre o que sentem, sobre como as coisas mudaram (elas sempre mudam de alguma forma) só vai ajudar a fortalecer e a diminuir a barreira que existe, naturalmente, entre os dois. Se não quer dar um grande passo, não o dê só porque o outro está disposto. Converse, seja sincero e assim as coisas serão mais saudáveis, agradáveis e a cumplicidade só aumentará.

Hoje existem especialistas em relacionamentos que dão “dicas” e ensinam as pessoas a conviverem juntas. A manterem um casamento duradouro. A “segurar seu homem” e tantos outros. Mas na verdade, não existe razão para as coisas feitas pelo coração, já dizia a Legião Urbana. E não existe mesmo. Um relacionamento se dá por sentimento. É difícil relacionar-se com alguém por quem não se sente absolutamente nada. Há quem tente, mas, dificilmente vai para frente. E há quem ame. Ah! Esses fazem de tudo para um relacionamento dar certo. Porque certo, não é perfeito. Se o fosse, qual seria a graça?

"Somos a reposta exata do que a gente perguntou
entregues num abraço que sufoca o próprio amor
Cada um de nós é o resultado da união
De duas mãos coladas numa mesma oração
Coisas do Coração..."*


Kari Mendonça
*Coisas do Coração, Raul Seixas

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pra declarar minha saudade

Fiz uma canção
Pra declarar minha saudade
Do tempo em que a alegria dominou meu coração
Eu era bem feliz
Mas desabou a tempestade
Levando um lindo sonho pelas águas da desilusão
Eu fiz uma canção
Pra declarar minha saudade
Usei sinceridade que
Me dá certeza que você
Quando ouvir o meu cantar,
Vai se lembrar que deixou
Do lado esquerdo do meu peito essa dor
Que tá difícil de curar
Tenho certeza que você
De onde ouvir
Meu soluçar em forma de uma canção
Vai se lembrar que nosso amor é tão bom
E que pra sempre vai durar


Composição: Jr. Dom / Arlindo Cruz

domingo, 9 de maio de 2010

Me ame ou me deixe!

Sabe, eu cansei de ouvir as pessoas. Cansei de ouvir que sou jovem demais, que tudo vai passar e que logo estarei rindo de tudo isso. Cansei porque, de fato, é verdade. Sei que a ferida vai passar, que a mágoa vai diminuir, que amanhã irei olhar para trás e perceber o quanto foi bobo todo o “exagero” que demonstrei na situação. Eu sei de tudo isso. Mas eu me dei ao direito de chorar durante o meu luto. Sim, luto por algo que foi e não vai mais. Luto por um amor que não receberei mais. Luto por planos que não poderei fazer. Luto por uma vida da qual ainda dói lembrar.

Se o luto passou? Só a mim interessa saber. Se a mágoa diminuiu? Na verdade, estou tentando deixá-la o quanto maior possível, assim vai ser mais fácil. Não! A mágoa não vai durar para sempre e nem vai substituir tudo que foi bom. Mas ás vezes, com a mágoa ou a raiva, fica mais fácil deixar ir. E eu não quero ouvir que futuramente encontrei alguém melhor, alguém que me ame o quanto mereço e que serei feliz. Ora essa! Ninguém precisa me dizer uma coisa dessas. Eu sei que vou ser feliz. E quem disse que eu não sou? Faz parte da vida tudo isso.

Eu também não planejava me mudar em pleno terceiro ano do colégio, mas aconteceu. E eu não planejava assistir a morte da minha avó em câmera lenta, mas aconteceu também. E eu não imaginava que encontraria pessoas tão maravilhosas nessa minha vida, mas encontrei. E agora eu reli uma frase e percebi que ela pode ser encaixava na situação: “Não conservo o menor ressentimento contra aqueles que encontrei no meu caminho. Corríamos todos atrás do prazer; o acaso nos reuniu; o acaso separou-nos.”

Não acredito no acaso, acredito que foi algo mais que nos uniu e também não vou achar que o acaso nos separou. Tinha que ser assim. Mas deixem-me em paz, por favor. Haverá dias em que chorarei de saudade do amigo que tinha e perdi. Sim, o fim de um relacionamento acaba nos levando um amigo junto. Amigo que fará falta, mas, “hoje, que somos uns para os outros recordações vivas e bem tristes, devemos esquecer-nos mutuamente. Entre nós a estima, e mesmo a piedade seria uma irrisão.”

Então que seja assim. Eu fico aqui com meu período de luto, acredite, ele não vai durar tanto quando parece. Eu sou emotiva demais. Apego-me demais. E quando amo, amo pra valer. O que me fez lembrar de Juscelino Kubitschek. Não foi ele que disse: “Brasil, ame-o ou deixe-o”? Então, comigo é assim também. Eu amo, mas só eu sei o quanto mereço ser amada. E as minhas emoções podem ser grandes e exageradas, e podem durar anos. Mas eu sou muito mais forte do que a minha pouca idade pode demonstrar. E acredite: as minhas lágrimas nunca demonstraram a minha fraqueza.



Kari Mendonça

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A vida não vai sair como planejei

Em meados de 2008, eu escrevi uma carta a uma amiga. O título era “Sabe, a vida nem sempre sai como planejamos”. Escrevi após perder as aulas que fui assistir na faculdade para ficar com ela enquanto chorava. Escrevi tudo aquilo e imagino que se ela tivesse lido, não teria gostado. Foram palavras duras que ninguém gosta de ler em um momento como esses. Como eu posso ter tanta certeza? Hoje eu reli a carta, mas dessa vez não foi para ninguém, foi para mim. Eu precisava acreditar em tudo o que escrevi. Eu precisava saber que a vida nem sempre sai como planejamos. Agora eu sei.

E perceber que a vida apronta algumas com a gente é muito ruim. Saber que as coisas podem mudar, ás vezes é facilmente concebido, o difícil é replanejar tudo de outro jeito. O difícil é saber que nada vai ser como antes e que você terá que reaprender a viver, porque viver do jeito que está não é mais possível. O difícil é não poder dar aquele telefonema no final da noite só para contar como foi o dia e não poder receber um “bom dia” todas as manhãs. O difícil é saber que aquele vestido nunca vai sair do papel e aquele bolo, sequer será experimentado. O difícil é seguir em frente, sozinha.

Tudo o que foi vivido juntos jamais será esquecido. Foram momentos mágicos, sorrisos belíssimos, e um amor sincero. Um amor que suportou o que pode, até não poder mais. Amores eternos? Ainda acredito que eles existam. Acredito também que podem renascer. Mas também acredito que podem, simplesmente, acabar. A dor que causa tudo isso? Só sabe quem sente. Se é definitivo? Ninguém sabe. O melhor é pensar que não, mas eu nunca consigo ver o lado bom das coisas. E eu só acho que jamais nos veremos novamente. O que eu não quero que aconteça.

Uma amiga diz que precisamos de tempo. Tempo para aceitar tudo o que está para acontecer (ou estava, não sei). Tempo para percebermos o que realmente queremos. Tempo para amadurecermos e, na hora certa (seja ela quando for) tomaremos uma decisão. Enquanto isso, dói. Dói ter que guardar todas as fotos pregadas na parede. Dói tirar a foto do celular. Doem as lembranças das viagens durante a noite. Doem as passagens que não serão usadas e os presentes que não serão entregues. Dói seguir em frente. E como dói.

E sabe, é verdade que o amor e as rosas têm espinhos. Mas eles não servem para machucar ou tirar a beleza das rosas, eles servem para proteger. E é preciso apenas um pouco de cuidado (com ambos) para não se cortar. Se ainda não aprendemos a segurar a rosa, talvez precisemos, de fato, de um tempo.



Kari Mendonça

terça-feira, 20 de abril de 2010

Parque dos Sonhos

Aninha era uma menina ansiosa. Por muito tempo achou que aquilo não pudesse interferir ou prejudicar a sua vida. Tomava decisões, fazia planos e vivia de forma intensa. Era uma criança feliz e sorridente. Até o dia que foi convidada para ir ao parque de diversões. A felicidade tomou conta da sua alma. Não iria imediatamente, faltava ainda dois meses. Mas só em saber que iria para o parque que tanto sonhava, já a deixava radiante. E pela ansiedade, ela não conseguia se controlar. Aninha contou a todos sobre a ida ao parque de diversões. Cada pessoa que encontrava, ela sorria e contava a novidade. Todos sabiam como tudo aquilo era importante para aquela jovem menina.

Os dias foram passando e Aninha não conseguia pensar em outra coisa. Fazia planos para a viagem, imaginava a roupa que usaria, e até a ordem dos brinquedos que iria. De todos, o que mais gostava era a roda gigante. Sentia-se bem no alto, com o vento batendo no rosto. Era bom olhar de cima e ver todo o parque, todas as pessoas e as luzes. Gostava de ir duas vezes, no mínimo. Durante o dia e, principalmente á noite, quando tudo parecia mais bonito, mais brilhante. O rosto daquela menina nunca estivera tão bonito, era a felicidade por se sentir realizada, antes mesmo de realizar.

A ansiedade continuava tomando conta daqueles pensamentos. Não conseguia parar de pensar em tudo aquilo. Um dia, quando faltava menos de um mês, Aninha viu no noticiário que o Parque dos Sonhos havia fechado as portas. Elas não acreditou. Não é possível, pensou desesperada. Ao olhar em sites e em tudo o que procurava, a informação se confirmou. O parque havia fechado e uma dúvida que rondava a todos: seria o parque aberto novamente? Ou foi uma decisão definitiva? A cada pergunta, a cabeça de Aninha ficava mais confusa. Cada dúvida causava uma dor, mas dor maior era saber que não poderia ir ao parque.

Sentiu a sensação de estar na roda gigante no momento em que faltou luz. Imaginou que o mundo havia parado e, de repente, não sabia se a roda gigante voltaria a girar. Chorou durante dias. Era tristeza e um pouco de vergonha. Triste por ver todo o seu “castelinho”, que estava construindo com tanto cuidado, destruído. Uma amiga havia feito aquela metáfora. Outra coisa que a angustiava era o alarde que havia feito. Disse a todos sobre a sua ida ao parque e agora, precisava dizer-lhe que não iria mais. Não queria falar com ninguém sobre aquilo, ainda machucava bastante, mas as pessoas acabariam perguntando e, uma hora ou outra, ela precisaria falar sobre aquilo.

Com o tempo, Aninha percebeu que talvez tenha sido uma coisa boa. Quem sabe o que poderia acontecer se fosse ao parque naquele dia prometido? Achou até melhor que não tivesse ido. Ainda não conseguia não se entristecer pelas mudanças repentinas, mas ela precisa se levantar e seguir em frente. De uma forma ou de outra, aquele sempre seria o seu parque preferido. Se não pode ir naquele dia, iria em outro. Ou não. O importante era se manter forte. Era difícil ainda, mas estava conseguindo. O que restava agora, era esperar os dias. Sempre ouvira que nada era como o tempo. Só ele poderia dizer qual caminho seguir e se o parque voltaria ou não a funcionar normalmente.




Kari Mendonça

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mind the gap

Quem já viajou para outros países, especialmente os de idioma inglês, e andou de metrô, já deparou com o aviso que há em cada estação subterrânea. Ou está escrito no chão, ou os alto-falantes avisam: Mind the gap. Significa cuidado com o vão. Não caia. Não dê um passo em falso. Fique atrás da linha amarela. Não avance. Não arrisque cair nos trilhos. Mind the gap. Mind the gap.

Estava eu, numa noite de sábado, assistindo em casa ao filme Notas de um Escândalo, cujo atrativo maior é o duelo de duas grandes atrizes, Cate Blanchett e Judi Dench, quando a personagem da insatisfeita Cate saiu-se com essa frase: “Temos que ter cuidado com o vão. Que é a distância entre a vida que você sonha e a vida como ela é”.

A distância entre a vida que você sonha e a vida como ela é.


Mind the gap, pois a queda é dolorosa. Mantenha-se com os pés firmes na vida que você tem. Claro que a vida sonhada é determinante para a busca da felicidade, claro que é essa vida “do lado de lá” que nos mantém despertos, claro que o sonho é mais inspirador do que a realidade, porém, cuidado com o vão. É onde a gente se machuca.


O túnel de uma estação de metrô costuma ser recheado de cartazes publicitários. Fotos de ilhas caribenhas para vender cartão de crédito, fotos de mulheres sublimes para vender cosméticos, fotos de casais jovens e apaixonados para vender roupas. Um mundo lindo e perfeito, sem tédio, sem dívidas, sem solidão. Ali, do outro lado do vão.

E a gente olhando tudo isso, parado, em pé, segurando uma mochila pesada, enquanto espera o trem.

Se você está viajando a turismo, se está em outra cidade ou em outro país, de certa forma já está do lado de lá do vão, está vivendo um instante de deslumbramento, em que se encontra longe de casa, longe do trabalho, com algum dinheiro pra gastar, com tempo livre, tirando umas férias da rotina e de você mesmo: não seria essa a descrição perfeita de “a vida que você sonha”?
Férias é sempre um passeio por essa outra vida, a idealizada.

Mas pense bem: imagine uma vida eterna de prazeres, sem hora para dormir nem para acordar, com o mundo bem resolvido, o céu sempre azul, um amor tranquilo, champanhe e caviar dia e noite. Uma semana, um mês, dez anos sem motivos pra chorar, sem um compromisso a cumprir, sem um desafio.


Fazendo essa transferência, consigo me ver estampada nas paredes de uma estação, eu e minha vida de comercial de cartão de crédito, olhando aquela outra mulher na plataforma oposta, em pé, esperando o trem para levá-la a uma reunião de trabalho, a um encontro que pode frustrá-la ou surpreendê-la, a um bairro em que pode estar chovendo, a um acontecimento que deixará seu coração palpitando, e penso que talvez eu continuasse angustiada com a imensa distância que há entre a vida que a gente sonha e a vida como ela é.

Estamos sempre de olho na outra margem, na plataforma de lá. E o vão nunca some.

Martha Medeiros, em Donna ZH

domingo, 21 de março de 2010

Muitas, muitas coisas

Depois de um mês eu apareço para dizer que ainda estou viva. É que as coisas andam bem corridas e mal tenho tido tempo para pensar. São tantas coisas, tão pouco tempo, tantos acontecimentos... vou tentar relatar o que anda acontecendo de uma forma resumida, pode ser?

Os dias estão corridos, pois sempre que chego do estágio tem outro trabalho para fazer em casa. Resolvi arrecadar fundos para o meu casamento. Comecei então, a fazer brigadeiros, beijinhos e bem casados de copinho. Esses eu já fiz em algum semestre da faculdade, mas agora são no copinho. E, para ajudar ainda mais, resolvi fazer também cupcakes. É um pequeno bolo, quase um bolinho de bacia, mas com certo charme. Faço de chocolate com cobertura de chocolate, doce de leite com glacê. As pessoas gostam e andam reclamando pois não fiz nada na última semana. O motivo? Explico já.

No estágio estou (ou estava, até sexta, ainda não sei), redigindo um livro e por isso não tenho tempo nem pra pensar... Isso fez a minha tendinite piorar horrores e os meus olhos ardem mais que pimenta em ferida. Fora isso, estou gostando muito. As pessoas que trabalham comigo são ótimas e tornam a manhã agradável e divertida. O único porém, é que uma colega vende chocolates. E o pior: eles são mais que deliciosos. A parte boa é que ela não leva todos os dias, mas sei o quanto vou lamentar isso na hora de experimentar um vestido.

Por falar em vestido... Não temos feito muita coisa em relação aos casamentos. Estávamos esperando alguns acontecimentos para voltar á procura. Fora isso, tivemos ainda um imprevisto que será relatado logo logo. Mas, para adiantar as coisas, decidi que eu queria fazer parte do meu convite. Sim! Eu vou fazer uma parte e estou procurando alguém para fazer a outra parte. Não será um convite como os tradicionais, mas será belíssimo. Quero um convite descontraído e alegre e é assim que será. Ao começar, já sabia como seria todo ele, a única dúvida era o versículo que seria usado. Demorei, mas achei um versículo lindo e que tem tudo a ver com a minha relação com o meu noivo.

Na penúltima quinta-feira eu estava pronta para ir para a faculdade. Havia feito vários docinhos. Estava mais ou menos perto de casa, prestes a entrar em uma rua, quando parei para olhar ser havia carros na direção contrária. Em uma fração de segundos ouvi um barulho ensurdecedor e senti o carro andar para frente. Fiquei em choque. O carro parou na frente do meu, o rapaz saiu com o telefone. Eu fiquei parada, olhando para ele, sem saber o que fazer. Não sei quanto tempo depois, eu sai do cruzamento, parei o carro na frente do carro do rapaz, sai, e telefonei para minha mãe. O rapaz não falou comigo e eu que não fui falar com ele. Um tempo depois ele perguntou se eu havia chamado alguém e falei que sim.

Minha mãe chegou algum tempo depois. O que pareceu uma eternidade para nós duas, pois ela veio correndo em um caminho relativamente longe. Não demorou muito e meu pai chegou. As coisas foram resolvidas e, assim que entrei no carro, me acabei de chorar. O susto foi grande, o estrago, nem tanto. Ontem o carro foi para o concerto e terça-feira ele volta para casa. Eu já voltei a dirigir, mas estou com um cuidado gigantesco e mantenho distância de todos os carros, para que ninguém tenha motivos para bater em “mim” novamente...

Ah! Uma novidade é que resolvi me render e criei um twitter. Pois é! Uma amiga me disse que eu precisava ter um, pois é o twitter que está pautando as notícias e acontecimentos. Criei e sabe que gostei? É bobinho, mas divertido. O legal é poder conversar com as pessoas e dar pitaco... Fazer um comentário... Ah! Eu gostei sim! Se quiser me seguir e ler as bobagens que escrevo, é só procurar por /kariroka. O nome veio de um apelido do colégio. Foi meio que uma homenagem aquele tempo.

Para completar, a internet aqui de casa não funciona desde o último domingo. Passei a semana inteira telefonando para a OI e pedindo um técnico, mas sempre inventavam uma desculpa. A visita estava marcada para ontem, mas até agora ninguém chegou. Estou usando o PC do meu pai.

Enfim, notícias atualizadas. Esta semana acontece a Feira de Noivas e, se tudo der certo, eu vou e apareço para contar as novidades. Assim que der, eu volto.


Kari Mendonça

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Carta para minha amiga

Já que tu gostas tanto desse canto, eu não poderia deixar de responder por aqui. Não me entenda mal, por favor, não quero te expor. Mas é que o teu e-mail me trouxe lembranças esquecidas. Daquelas que estavam guardas com um cadeado, sabe? Lá no cantinho mais afastado do peito. E as tuas palavras, e as minhas palavras transcritas no teu e-mail, me fizeram relembrar de tudo aquilo. De todo aquele sentimento. De toda dor. Calma! Tu não me machucaste. Assim como tu, sorri ao lembrar tudo aquilo. E ao perceber que Deus me deu sim outra chance. E me deu também sabedoria para perceber que aquilo que parecia ser mais um comentário, era, de fato, o amor da minha vida.

É, a gente pode não se ver todos os dias. E podemos ter conversado pouco durantes esses anos “pós-colégio”, mas tu não és uma amiga e só. Tu és uma das melhores. E sei que tu sabes de todas as minhas coisas. Chorei tantas vezes contigo por causa daquele ex. Aquele, lembras? E uma das cenas que lembrei depois do teu e-mail, foi de estar sentada no pátio do colégio, ao lado de Van, ouvindo Ana Carolina e chorando. Chorando porque sabia que tinha acabado. E eu não sabia como seria dali pra frente. Também pudera, foram seis anos naquele “chove não molha”. Eu achei que não conseguiria viver, mesmo que não tivesse estado com ele durante aqueles anos todos.

E sabe que eu até desisti? Sim! Como toda mulher após um fim, eu desisti dos homens. Dos relacionamentos. E eu estava decida a viver como Bridget Jones. Bem sucedida. Com a minha casa. E morrer comida pelos cães ouvindo “All by my self”. Dramático não? Mas não parecia dramático naquela época. Não com a ferida tão acesa. Mas sabe... A ferida sempre sara. E teria sarado, mesmo que eu me tornasse a própria Bridget. Ah sim! Lembrando que eu sempre imaginava que não encontraria o meu Marc Darcy, nunca!

E então eu pensei em te sugerir uma coisa: vai pra longe. Vai pra longe como eu fui. Mas então eu lembrei que tu não tens para onde ir. Porque ele, inevitavelmente está no teu espaço. Naquele lugar que poderia ser o teu refúgio. E tu não tens para onde ir. Então eu pensei e vi que tu não precisas fugir. Tu precisas ser forte. Eu queria poder dizer mais coisas, mas eu, naquela época, me agarrei a uma coisa só. Lembra que naquela carta eu o pedia para decidir entre ficar ou ir embora? Ele decidiu. Em um telefonema, foi embora. E eu me agarrei naquela decisão e decidi também: não deixá-lo voltar. Seguir em frente era o que eu pensava em fazer. Porque eu sabia que, ali parada, a história nunca iria acabar.

E aí, quando eu estava triste por um monte de coisas, e na pior fase da minha vida, ele me apareceu. E tu lembras o começinho, né? Quando eu contei naquela terceira “festa do pijama” que estava trocando e-mails com um gaúcho. E lembras quando fomos para a Bienal? Que eu mal consegui me concentrar, pois sabia que, ao voltar para casa haveria um e-mail que seria definitivo? E foi. Naquele dia tivemos o nosso primeiro telefonema. E eu lembro que te contei isso. Como eu disse no início, foi a segunda chance que Deus me deu. E eternamente eu vou ter essa dívida com Ele.

Mas eu falei, falei e nem sei se disse alguma coisa que faz sentido. Basicamente o que eu tentei dizer desde o primeiro parágrafo é que não importa o que nos aconteça no caminho dessa vida, Ele sempre tem o melhor guardado pra gente! E eu sei bem que tu sabes disso. Afinal, lembra dos gêmeos? Aquilo era tudo uma brincadeira, mas eu sei que o que sentias não fazia parte da brincadeira. E eu sei o quanto doeu quando acabou. Lembras? Mas tu seguiste em frente. Porque é isso que a gente acaba fazendo. Seguimos em frente, a procura de um novo amor... E, quando menos esperamos, ele aparece.

E mesmo que não seja o “amor da sua vida”, vai ser alguém com quem vais aprender. Alguém que, de alguma forma, vai te moldar. E, na hora de conhecer aquele “amor da sua vida”, tu vais estar do jeito certo. Do jeito que tinha que ser para ficar com ele. E mais, vai ser na hora certa. E digo isso porque não tem coisa pior do que ouvir, “eu te amo, mas agora a gente não pode ficar juntos”. Ora essa! Então não tem que ser. Então não é ele. Porque quando for, vai ser a hora certa. E a gente vai saber. E vai sorri para ele com “devoção”, como tu me disse no e-mail.

Desculpa se me prolonguei demais. É que tu não imaginas o que teu e-mail fez comigo. E fiquei feliz em te ajudar. Te amo muito! E vê se fica bem, tá? Um abraço bem apertado da amiga de sempre!


Kariroca

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O acaso?

Engraçado como algumas coisas simplesmente acontecem. Eu andava pensando em umas coisas e daí uma conversa me chateou. E, por coincidência, eu acabei lendo uma frase que tinha tudo a ver com a conversa da noite anterior. E a frase me fez pensar em umas coisas. E lembrar algumas pessoas. E então, finalmente hoje eu conseguir assistir aos episódios de Dawson´s Creek que estão comigo a mais de um mês. E tudo isso, de alguma forma, se encaixa. E me fez pensar. Algumas coisas não valem à pena se dar conta, mas um momento ou outro a “ficha” acaba caindo.

Em 2007 eu decidi assistir a todos os episódios de Dawson´s Creek. Pela TV tinha assistido alguns, nas manhãs de domingo, mas eles sempre mudam a programação e nunca passam na ordem. Aluguei, aos poucos e, em um final de semana eu assistia aos 24 episódios de cada temporada. Assisti até a quinta, pois a sexta e última não tem na locadora. Fiz de tudo para o dono comprar, mas ele nunca se interessou. De tanto falar, um dos meninos que trabalham lá, fez a generosidade de gravar os 24 episódios e me dar em cd. Quase morri de tanta felicidade, mas só hoje consegui baixar o programa e assistir.

Eu gosto de Dawson´s. Desde criança, sempre gostei. É um seriado bobo, é verdade. Com aquele amor inocente. E, apesar de não gostar de Dawson e daquele jeito meloso e chato, eu gosto do tema principal da série: a amizade. Eles cresceram juntos, Pacey, Joey e Dawson. Com o tempo apareceu Jenny, depois Jack e então Audrey. E não importa o que aconteceu entre eles, ainda são amigos. Amigos mesmo, sabe? Daqueles que não importa mesmo o que aconteça, eles vão sempre estar um ao lado dos outros. Sim! Eu sei que é apenas um seriado, mas também sei que amizade assim existe.

E era isso que eu queria pra mim, sabe? Tenho amigas da faculdade, mas convenhamos, nas férias nem nos damos ao trabalho de nos encontrar. Sempre tem uma coisa mais importante e, como sabemos que nos veremos nas aulas, pra que ainda se encontrar no final de semana? Ainda me encontro com as meninas do colégio e elas são minhas amigas. Mas não existe a frequência. Estamos sempre ocupadas demais com a “vida adulta”, a faculdade, os estágios e os cursinhos, que quase não temos tempo de nos encontrar. Eu queria aqueles amigos que você encontra depois da aula, sabe? Pra comer uma batata frita e contar como foi o dia.

E então eu lembrei que talvez eu tenha tido amigos assim. Daqueles que a gente passava as férias inteiras juntos. Jogando bola, dominó, Máster. Já tive aquele grupo onde um deles era meu ex e, querendo ou não, sempre havia aquela pequena tensão entre nós. Mas eu pergunto: se eram tão amigos assim, onde eles estão hoje? E percebo que, se não sei responder, é porque alguma coisa está errada. Talvez eu tenha entendido tudo errado. Talvez aquilo não tenha passado de uma amizade de férias. Eu não sei. Se eu sinto saudade? Senti, até começar a duvidar.

E foi então que, enquanto pensava em tudo isso, no meio do estágio, eu digitei esta frase:

“Não conservo o menor ressentimento contra aqueles que encontrei no meu caminho. Corríamos todos atrás do prazer; o acaso nos reuniu; o acaso separou-nos. Hoje, que somos uns para os outros recordações vivas e bem tristes, devemos esquecer-nos mutuamente. Entre nós a estima, e mesmo a piedade seria uma irrisão.”

E Meu Deus! Como me fez bem ler esta frase. Eu guardei ressentimentos por algum tempo. Não guardo mais. "O acaso nos reuniu; o acaso separou-nos.” Fico perguntando: será sempre assim? Será que nunca poderei ter o meu Payce, a minha Jenny, Audrey, o meu Jack e até o Dawson, aquele amigo meloso? Então eu releio a frase que diz: “devemos esquecer-nos mutuamente”. Eles já devem ter me esquecido. Tratarei de esquecê-los também. Mas sempre na esperança que o acaso... Quer saber? Eu não sei se acredito no acaso! Mas quem sabe um dia eu não tenha amigos que vão além de um único ambiente?



Kari Mendonça

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O encantador de sonhos (Parte IV)

Para entender melhor leia o assunto "Sobre o casamento": (Parte I), (Parte II) e (Parte III).

As comidas estavam deliciosas. E eu pensei: é isso que eu quero comer no meu casamento. Ah! Sim! Porque diferente de quem não aproveita a sua festa tirando fotos e fazendo “sala” para os convidados, eu e o noivinho vamos aproveitar muito a nossa festa. Em todos os sentidos. O que inclui que vamos comer bastante. Passada a degustação de-li-ci-o-a, o dono chegou. Muito atencioso e feliz da vida por perceber que estávamos bastante satisfeitos. Ao sentar, logo fizemos o cardápio da minha irmã (de uma forma mais oficial). Quanto ao meu, demoramos mais um pouco. Ele leu, pensou...

Mas em momento alguém sugeriu que eu não fizesse aquilo. Ele deu sugestões, mas não mudou nada do que eu queria. Fiquei feliz com aquilo. Acrescentamos algumas coisas, pois, segundo eles, as mulheres sempre chegam às festas com fome, pois, na hora do almoço estão preocupadas em ir para o salão de beleza e, ao chegar em casa, correm para se arrumar. O que é verdade. E pensando nelas, acrescentei algo que vai satisfazer a todos. Obviamente acrescentei “aqueles” canapés que não estavam inicialmente. Ele demonstrou surpresa com o que eu lhe disse, mas demonstrou também vontade em fazê-lo.

Fiquei encantada com o tratamento que ele nos deu. Chegada a hora de falar em preços, não foi tão chocante como havia sido nos outros. E, aproveitando aquele “dois em um”, ele ainda facilitou a forma de pagamento. Ficamos todos muitos satisfeitos. Dependendo de nós, teríamos fechado negócio naquele momento. Mas o casamento era também da minha irmã, ela precisava dizer o que achava a respeito de tudo. Fomos para casa com a certeza de que tudo daria certo. A ansiedade foi grande até minha irmã chegar na internet. Mostramos-lhe o cardápio e ela ficou encantada.

A cada item que lia abria um sorriso enorme. “E tem tudo isso?” Foi um de seus comentários. Logo ela disse que poderia sim acertar tudo. Estava muito bom. A felicidade foi geral. Também mostrei tudo ao meu noivo e lhe descrevi o gosto de cada coisa. Ele também gostou. Pronto! Agora só precisávamos fechar o negócio. Na segunda não pude telefonar. Na terça telefonei avisando que estava tudo certo. O dono, Wellington, disse que viria até aqui em casa, pois precisa ver o local para saber se poderia realmente fazer tudo aqui. Passei a manhã da quarta-feira ansiosa. Assim que ele chegou, ficou encantado com o espaço.

Disse que a festa poderia ocorrer tranquilamente. Isso me acalmou. Sentamos-nos à mesa e resolvemos tudo. Agora é oficial: os nossos casamentos serão feitos pelo Anthurius Recepções. E aí você pensa: que legal, está tudo resolvido. E então eu te respondo: que nada! Está apenas começando... Ainda falta uma decoradora, uma boleira, iluminação, foto e filmagem, noivinhos em biscuit....


Kari Mendonça

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O encantador de sonhos (Parte III)

Para entender melhor leia "Sobre o Casamento" (Parte I) e (Parte II).

No último sábado acordei cedo. Estava ansiosa. Não consegui tomar café e saí apenas com um copo de leite. Chegamos ao Buffet e o dono ainda não havia chegado. Sim! Iríamos conversar com o dono, o que, querendo ou não, nos deixou mais a vontade. Enquanto ele não chegou, nós não apenas esperamos (digo nós, pois fui com meus pais). Nós experimentamos. Um casamento iria acontecer ás dez horas, mas como o padre disse que não ia sair da igreja, a recepção ficou destinada para ás onze horas. Obviamente isso não aconteceu. Quando saímos, umas onze e pouco, ninguém havia chegado.

Mas voltando a degustação... Enquanto conversávamos, apareceu um prato com canapés. Minha nossa! E eu lá sabia o que era canapés (que na verdade agora se chama “blinis”). Resolvi arriscar. Era um pãozinho cortado com um creme e um camarão. No outro havia um creme (de outra cor, o que supus que seria outro gosto) e uma pimenta de bico (ou seja, que não queima). Resolvi experimentar e me arrisco a dizer que até a presente data eu nunca comi algo tão gostoso. Ainda hoje penso naquele gosto. Naqueles, melhor dizendo. Realmente, apesar de parecidos, os canapés (ou “blinis”, como queira) tinham gostos diferentes. E eu nem sei dizer quem era o mais gostoso.

Minutos depois apareceram mini tortinhas. Uma delas parecia a torta que a minha bisavó fazia e, claro, gostei demais. Depois surgiram alguns folhados e, apesar de não ser muito fã, até o de bacalhau era gostoso. Então vieram as frituras e me encantei com o fato de todos não serem feitos com a mesma massa. Acredite, já fui a um aniversário onde a coxinha tinha o mesmo gosto do bolinho de queijo. Mas lá não. Cada um tinha seu gosto particular. E que gosto!!! Queria que meu noivo estivesse lá. Ele iria gostar tanto quanto eu. Mas experimentei por nós dois, para que ele não ficasse chateado.

E, por último, chegaram eles: os docinhos. Sim! Apesar dos canapés terem sido maravilhosos, são os doces os que eu mais admiro. É neles que eu penso quando estou aperriada, triste, feliz... Sou louca por doces. Não que isso seja uma coisa boa, mas é a verdade. Entretanto, confesso, não gosto muito dos famosos “doces finos”, prefiro os tradicionais como brigadeiro com granulado, surpresa de uva, bem casado (aquele feito com leite moça e não o que parece com um “macarrons”). Mas sabe que aqueles doces até estavam bem gostosos? Naquele momento fiquei bem feliz por não ter tomado café da manhã.

Em alguns dias a continuação da conversa e se tudo deu certo ou não com o Buffet.


Kari Mendonça

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Andrea escreveu.

Para entender melhor leia: Andrea foi embora e Andrea mandou notícias.


Oi Pai, oi Mãe.

Já faz uns dias desde que nos falamos pela última vez. Desculpe-me a ausência. Como sabem, estou sem internet e, na verdade, sem muito tempo em casa. Tenho trabalhado bastante. Faço muito “hora extra”, a fim de não chegar em casa cedo. Nunca imaginei que morar sozinha pudesse ser tão solitário... Chego e não tem ninguém para cumprimentar. Não posso fazer uma receita nova, porque receitas novas sempre são para mais de uma pessoa. Não faço mais sobremesas, porque ainda não aprendi a fazer uma porção pequena. Apesar de toda essa solidão, eu estou melhor.

É verdade que sempre penso no Marcelo e em como seria se ele estivesse aqui. Sabe que ás vezes saiu do trabalho e, por um instante esqueço o que aconteceu e fico querendo chegar em casa para lhe contar as novidades. Então abro a porta e percebo que o único cheiro ali presente, é o do meu perfume. É verdade que, ás vezes, acordo em meio a madrugada, sentindo o perfume do Marcelo. Aquele cheiro que só ele tinha. Aperta o peito, sabe? E volto a dormir com aquela fisgada de dor. Eu ainda não consigo falar dele para outras pessoas. Quer dizer... As coisas estão começando a mudar.

Lá no trabalho tem um rapaz chamado Lucas. Ele trabalha em outro setor, mas sempre aparece para resolver alguma coisa. Nos últimos tempos reparei que ele aparecia mais do que deveria. Ele sempre é muito simpático e um dia me chamou para sair. Eu disse que não podia, pois precisava trabalhar. No dia seguinte eu tinha decidido sair mais cedo para comprar frutas, mas ele me chamou quando eu estava saindo e não pude dizer nada. Acabei aceitando e fomos tomar um café ali perto. Ele se mostrou curioso a meu respeito e, logo de cara comentou que sabia que algo havia acontecido comigo.

Perguntei-lhe o motivo da observação e ele disse que o meu olhar era acusador. Tratou de dizer que não estava com interesses sexuais em relação a mim, mas que algo havia lhe chamado a atenção. Queria me conhecer, ser meu amigo. Confesso que, quando ele falou tudo isso, fiquei mais tranquila. Não aguentaria alguém me cantando, né? Ele falou um pouco sobre sua vida. Mora aqui desde que nasceu. Não teve muitas namoradas e, recentemente a namorada (agora ex.) o largou para morar em Minas Gerais. Ele disse que foi muito repentino e ainda gosta muito dela. Mas percebeu que ela não estava disposta a seguir adiante.

Passamos três horas na cafeteria. Depois que ele falou muito a seu respeito. Perguntou-me o que havia me trazido a esta cidade. Eu lhe contei a história que o Marcelo escolheu na sorte a cidade que tentaria viver sem mim. E foi onde resolvi tentar viver sem ele. O Lucas ficou meio sem graça quando lhe contei. Disse que sente muito. Mas não disse aquelas coisas de sempre, sabe? Que eu preciso seguir em frente, ou que tudo vai ficar bem. Gostei de não ouvir aquelas frases. O Lucas é uma pessoa muito discreta e acredito que não saiu contanto para todos o que lhe contei. Conversamos muito. E acredito que é uma boa amizade esta que está surgindo.

Ah! Não lhes contei, mas na última semana liguei para os pais do Marcelo. Eles estão bem, na medida do possível. Disseram que sentem a minha falta pelos corredores e nos finais de semana. Perguntaram se estou bem e de como é tudo aqui. Conversamos bastante e fico feliz em saber que o que temos não deixará de existir nunca, pois jamais o Marcelo deixará de fazer parte da minha vida. Afinal, um grande amor assim não morre jamais.


Amo muito vocês e prometo em breve visitá-los. Desculpem-me a demora em aparecer, mas preciso de ainda um tempo para conseguir voltar para esta cidade.

Beijos, Andrea

domingo, 31 de janeiro de 2010

Sobre o Casamento (Parte II)

Para entender melhor: Sobre o Casamento (Parte I)

Com todas as minhas regras e decisões formadas, comecei a procurar buffets. Algo mais complicado do que havia imaginado. Quando vou conversar sobre orçamentos, não peço apenas para o meu casamento e sim para o da minha irmã também. Ou seja, quem conversar bem comigo ganha “dois em um”. O que, acredito, deveria ser algo bom para quem trabalha com essas coisas. Mas eu posso estar errada. As pessoas não me tratam bem pensando nessa vantagem, elas apenas oferecem aquilo que querem e me acham na obrigação de aceitar tudo.

O casamento da minha irmã é algo mais comum, algo que todos oferecem. Comigo é um pouco diferente e é aí que complica. Na última semana fui ao primeiro buffet, onde fui muito bem tratada. Minha mãe não pode ir e fui sozinha. Quando lhe falei a minha ideia, ela disse que não tinha feito um casamento daquela forma, mas havia um aniversário de quinze anos com aquelas características. Amei a sugestão que ela me deu, com a ideia de várias “estações”. Cada uma com um tipo de coisa, bem diversificado.

Esta semana, tiramos uma tarde para visitar buffet. O primeiro do dia e segundo da lista, não me agradou. Rapidamente resolvemos o da minha irmã. O meu, não apenas por falta de datas, mas também por ela dizer que não faria como eu queria e sim poderia mudar isso e aquilo outro. Não gostei, pois se quero de um jeito, vai ser dele. Claro que estou aberta a modificações, mas nenhuma que muda a essência da coisa. Ela me deu algumas ideias com a intenção de mudar tudo. Não gostei. Gostei apenas de algumas coisas e guardei.

Peguei as ideias, juntei com o que queria e fiz uma mistura com algumas coisas. Fomos então ao terceiro buffet, dos quais, confesso, mais gostei. O lugar era agradável e sem muito luxo. Gostei também do atendimento. Mais uma vez resolvemos logo o da minha irmã e ela ficou muito empolgada quando falei das minhas ideias. Disse que nunca havia feito nada igual e seria um prazer fazer. Montou o cardápio todo comigo, com tudo o que eu queria. Claro que deu algumas ideias, mas em momento algum sugeriu que eu mudasse tudo. Consegui, finalmente, expressar tudo o que estava querendo. Marcamos de nos encontrar no sábado (ontem) e conversamos sobre como poderíamos ajeitar o orçamentos levando em conta que serão dois em um. Espero que dê tudo certo. Semana que vem conto como foi.

No quarto buffet que visitamos, confesso que não me senti bem. Foi o buffet mais de indicado e sempre muito elogiado, mas me decepcionei, confesso. Nem para o casamento da minha irmã conseguimos o que queríamos. Diferente dos outros, queria fazer um cardápio super reduzido e, para ficar como os outros buffets teríamos que escolher mais de um cardápio dobrando o preço. Quando falei as minhas vontades, a mulher me olhou, entregou um papel e disse: nós fazemos isso, você pode escolher entre esses. Naquele momento eu tive vontade de sair... É uma pena, pois perderam um ótimo “dois em um”.

A saga pelos buffets continua. Semana que vem eu conto como foi a conversa e se decidimos alguma coisa.



Kari Mendonça

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sobre o Casamento (Parte I)

Ser diferente não é tão fácil assim. Tenho descoberto isso nos últimos dias. Recebi vários “foras”, mas mantenho a cabeça erguida e as minhas idéias firmes. Antes de tudo, deixe-me dizer algumas coisas. Desde que me lembro como pessoinha, eu sempre quis casar com um gaúcho e morar em Porto Alegre. Na época do vestibular, cheguei a passar madrugadas inteiras namorando os sites de todas as faculdades do sul do país que tivessem o curso de jornalismo. Assim, obviamente, as minhas chances seriam mais fáceis. O problema é que me faltou dinheiro e acabei em uma faculdade aqui pelo Recife mesmo...

Através deste singelo blogue, eu conheci um gaúcho. E sabe onde ele mora? Sim! Em Porto Alegre. E é com ele que eu vou casar. Então eu pensei: se Deus me deu um gaúcho como eu sempre pedi, sem que eu saísse de casa, porque eu deveria desistir do meu sonho? Então eu percebi que eu não vou desistir de nenhum dos meus sonhos. E eu sou daquele tipo: ou eu faço como eu quero, ou não faço de jeito nenhum. E é assim que vai ser. Porque eu pretendo casar uma única vez e não quero passar o resto da vida pensando que todos os meus convidados saíram satisfeitos, mas eu não.

Então, existem algumas regras que eu determinei. Na verdade são coisas das quais eu sempre sonhei e não abro mão. Para começar, eu não vou casar na igreja, pois o meu maior sonho era casar na casa onde moro. E é lá que irei casar. Depois, nada de vestido branco. Eu nunca quis entrar de branco, afinal, toda noiva (ou a maioria) entra de branco. E eu quero ser diferente. Quando mais nova, queria casar com o vestido da Bela, do filme A Bela e a Fera, mas seria muito elegante para a minha festa. Decidi então que não casarei com o vestido dela, mas não abro mão do amarelo.

É provável, e eu não vou dizer com certeza para não perder a surpresa, que o meu vestido seja igual a este aqui (não consegui postar foto daqui do estágio, então vai pelo site). Com algumas modificações: ele será curto (um pouco acima do joelho) e claro, amarelo. E antes que você me critique, o casamento será ás 17h30min, portanto, não estarei contra a etiqueta. Apesar de que, eu não ligo para ela. Só me importa a minha satisfação. E por falar nisso, não haverá bolo de noiva. Eu não gosto de passa, ameixa ou frutas cristalizadas, portanto, o meu bolo será de chocolate com cobertura de brigadeiro. Já descobri, inclusive, que existem granulados amarelos e são eles que quero em cima do bolo.

Ah! Esqueci de dizer que a decoração será baseada nas cores branco e amarelo. Gosto delas e da combinação. As flores usadas serão flores do campo (como as da foto). Quero um ambiente agradável, sabe? Quero que as pessoas se sintam bem e quero me sentir bem também. Em breve eu contarei a minha odisséia em busca de orçamentos pelos buffets.


Kari Mendonça

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Há 21 anos na terra!

E mais um ano se passou... Foram tantas coisas desde a última vez que apaguei as velinhas. Sinto que aconteceu mais do que costuma acontecer. Sinto-me mais madura, diferente em alguns aspectos. Não! O rosto continua o mesmo dos últimos anos. Talvez com algumas preocupações a mais, mas nada que me faça querer mudá-lo. Agora apago as velas com uma aliança na mão direita. No próximo ano, ela estará na esquerda. Uma pequena mudança que faz uma grande diferença. De todas as formas.

Tenho percebi várias coisas nos últimos dias. Talvez eu esteja mais atenta, não sei. Mas fazer aniversário é sempre tempo de reflexão. É verdade! Penso mais no aniversário que no ano novo... Percebi que existem feridas que não cicatrizam. Não me ache tola. Algumas feridas realmente não cicatrizam. Podem não sangrar, mas nunca se recuperam. E sua existência se faz presente em várias formas. É em um medo de morrer para não deixar os filhos sozinhos, é num rosto eternamente triste, numa mania esquisita...

Não sei se sou eu, mas com o tempo, ficamos mais saudosistas (aprendi a usar essa palavra com o Antônio). É saudade de uma tia que não pode mais te dar um abraço e saiu cedo naquele outro ano só pra te comprar um bolo. Das avós que não poderão te desejar um feliz aniversário. Da irmã que só vai poder te fazer um telefonema. Da casa de praia com todos os primos e um prato vermelho com divisórias para o ovo, o pão e o copo de leite. Saudade da festa feita na casa de praia com o bolo de chocolate feito pela avó. Saudade de quando as coisas eram melhores e algumas pessoas ainda faziam parte da nossa vida...

Com o tempo, fazer aniversário deixa de ser dia festa, de receber presentes e passa a ser apenas mais um dia no calendário. Nunca fui fã de festas, mas nunca rejeitei os presentes (e quem rejeita?). Diferente de muitos, gosto de ganhar mais um ano. Ele vem com um pacote de aprendizados, um pouco de maturidade, algum quilo de sabedoria... É fato que vem (com o tempo) com algumas mudanças no espelho, mas acredito que elas jamais poderão superar todas as outras coisas.

Costumava dizer que nasci tarde... Alegava que gostaria de ter nascido nos anos oitenta, para aproveitar bem os anos noventa. Nunca entendi bem essa minha vontade. Hoje gosto de quando nasci (o que de fato, foi nos anos oitenta, mas que no fim dele). Agora começo a maior idade oficialmente. São vinte e um anos de vida. De muitos que ainda estão por vir (se Deus quiser!).



Kari Mendonça
(A internet não existe mais. Até que todas as burocracias sejam resolvidas, ela será providenciada. Escrevo do estágio. Abraços!)

sábado, 16 de janeiro de 2010

A gente se vê

É com enorme pesar que eu venho dizer que não sei quando volto.
Essa não foi uma ida programada, mas a minha internet não me permite vir aqui e conseguir postar (não sem passar horas tentando entrar em cada página).
E também não me permite ir até seus blogs, o que faz com que vocês deixem de vir até o meu.
E isso é uma merda, porque eu tenho muita coisa pra falar...
Logo agora que andam acontecendo tantas coisas...
Enfim... Quando a internet permitir, eu volto.

Abraços,
Kari

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Conforto


Um dos piores momentos em uma viagem é arrumar as malas. É a certeza de que está chegando ao fim, e de que voltará para casa. Todas as vezes que tenho que arrumar as malas, sejam minhas ou dele, sinto um aperto no peito. Nunca consigo não chorar, porque sei que algum de nós estará indo para casa. Não ficaremos mais juntos. Ou melhor, ficaremos sim juntos, mas também distantes (fisicamente falando). Enquanto dobrava cada camisa, a dor no peito me apertava. A cada coisa na mala, era como se ele já começasse a ir.

Mas, ainda pior do que arrumar as malas é ter de levá-lo ao aeroporto. É a confirmação de que não poderei tocá-lo nos próximos dias, ou até meses. É a saudade antecipada, por não poder beijá-lo a cada vontade que surgir. É o saber das noites mais frias. Da cama vazia. Da voz ao pé do ouvido, pelo telefone. É a lembrança de todos os momentos, chegando de uma única vez. É a certeza de que tudo foi mais intenso que antes, e por isso que a dor da despedida é sempre maior.

Choro por sentir esta saudade. Mas saber que é uma das últimas vezes que nos despedimos é um conforto. É esse conforto que me ajudou a levantar pela manhã, e que vai me acompanhar por todos os dias, até que nos encontremos novamente em um desses aeroportos da vida...



Kari Mendonça