terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Andrea escreveu.

Para entender melhor leia: Andrea foi embora e Andrea mandou notícias.


Oi Pai, oi Mãe.

Já faz uns dias desde que nos falamos pela última vez. Desculpe-me a ausência. Como sabem, estou sem internet e, na verdade, sem muito tempo em casa. Tenho trabalhado bastante. Faço muito “hora extra”, a fim de não chegar em casa cedo. Nunca imaginei que morar sozinha pudesse ser tão solitário... Chego e não tem ninguém para cumprimentar. Não posso fazer uma receita nova, porque receitas novas sempre são para mais de uma pessoa. Não faço mais sobremesas, porque ainda não aprendi a fazer uma porção pequena. Apesar de toda essa solidão, eu estou melhor.

É verdade que sempre penso no Marcelo e em como seria se ele estivesse aqui. Sabe que ás vezes saiu do trabalho e, por um instante esqueço o que aconteceu e fico querendo chegar em casa para lhe contar as novidades. Então abro a porta e percebo que o único cheiro ali presente, é o do meu perfume. É verdade que, ás vezes, acordo em meio a madrugada, sentindo o perfume do Marcelo. Aquele cheiro que só ele tinha. Aperta o peito, sabe? E volto a dormir com aquela fisgada de dor. Eu ainda não consigo falar dele para outras pessoas. Quer dizer... As coisas estão começando a mudar.

Lá no trabalho tem um rapaz chamado Lucas. Ele trabalha em outro setor, mas sempre aparece para resolver alguma coisa. Nos últimos tempos reparei que ele aparecia mais do que deveria. Ele sempre é muito simpático e um dia me chamou para sair. Eu disse que não podia, pois precisava trabalhar. No dia seguinte eu tinha decidido sair mais cedo para comprar frutas, mas ele me chamou quando eu estava saindo e não pude dizer nada. Acabei aceitando e fomos tomar um café ali perto. Ele se mostrou curioso a meu respeito e, logo de cara comentou que sabia que algo havia acontecido comigo.

Perguntei-lhe o motivo da observação e ele disse que o meu olhar era acusador. Tratou de dizer que não estava com interesses sexuais em relação a mim, mas que algo havia lhe chamado a atenção. Queria me conhecer, ser meu amigo. Confesso que, quando ele falou tudo isso, fiquei mais tranquila. Não aguentaria alguém me cantando, né? Ele falou um pouco sobre sua vida. Mora aqui desde que nasceu. Não teve muitas namoradas e, recentemente a namorada (agora ex.) o largou para morar em Minas Gerais. Ele disse que foi muito repentino e ainda gosta muito dela. Mas percebeu que ela não estava disposta a seguir adiante.

Passamos três horas na cafeteria. Depois que ele falou muito a seu respeito. Perguntou-me o que havia me trazido a esta cidade. Eu lhe contei a história que o Marcelo escolheu na sorte a cidade que tentaria viver sem mim. E foi onde resolvi tentar viver sem ele. O Lucas ficou meio sem graça quando lhe contei. Disse que sente muito. Mas não disse aquelas coisas de sempre, sabe? Que eu preciso seguir em frente, ou que tudo vai ficar bem. Gostei de não ouvir aquelas frases. O Lucas é uma pessoa muito discreta e acredito que não saiu contanto para todos o que lhe contei. Conversamos muito. E acredito que é uma boa amizade esta que está surgindo.

Ah! Não lhes contei, mas na última semana liguei para os pais do Marcelo. Eles estão bem, na medida do possível. Disseram que sentem a minha falta pelos corredores e nos finais de semana. Perguntaram se estou bem e de como é tudo aqui. Conversamos bastante e fico feliz em saber que o que temos não deixará de existir nunca, pois jamais o Marcelo deixará de fazer parte da minha vida. Afinal, um grande amor assim não morre jamais.


Amo muito vocês e prometo em breve visitá-los. Desculpem-me a demora em aparecer, mas preciso de ainda um tempo para conseguir voltar para esta cidade.

Beijos, Andrea

3 comentários:

Dani Pedroza disse...

Hummmm... Já estou até vendo. Quando se está muito machucada, a forma mais provável de se abrir a um novo amor é assim, de mansinho, pensando que é inofensivo, a gente abre a guarda, sente cumplicidade. E quando vê, pronto, as coisas mudaram e você não olha pro outro como olhava antes e a dor já não dói tanto quando o outro está por perto. o sentimento por quem se foi continua ali, mas acaba ficando em stand by, pra que outra história seja vivida.

Gosto dessa série da Andrea.

Bjs.

Hugo Simões disse...

Muito bom! E eu tenho vários amigos em Chapecó (comentário aleatório) hehehe
beijos Kari, bom te ver aqui de novo!

*Lusinha* disse...

Será que o Lucas substitui o Marcelo? :)
Bjitos!