sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Carta para minha amiga

Já que tu gostas tanto desse canto, eu não poderia deixar de responder por aqui. Não me entenda mal, por favor, não quero te expor. Mas é que o teu e-mail me trouxe lembranças esquecidas. Daquelas que estavam guardas com um cadeado, sabe? Lá no cantinho mais afastado do peito. E as tuas palavras, e as minhas palavras transcritas no teu e-mail, me fizeram relembrar de tudo aquilo. De todo aquele sentimento. De toda dor. Calma! Tu não me machucaste. Assim como tu, sorri ao lembrar tudo aquilo. E ao perceber que Deus me deu sim outra chance. E me deu também sabedoria para perceber que aquilo que parecia ser mais um comentário, era, de fato, o amor da minha vida.

É, a gente pode não se ver todos os dias. E podemos ter conversado pouco durantes esses anos “pós-colégio”, mas tu não és uma amiga e só. Tu és uma das melhores. E sei que tu sabes de todas as minhas coisas. Chorei tantas vezes contigo por causa daquele ex. Aquele, lembras? E uma das cenas que lembrei depois do teu e-mail, foi de estar sentada no pátio do colégio, ao lado de Van, ouvindo Ana Carolina e chorando. Chorando porque sabia que tinha acabado. E eu não sabia como seria dali pra frente. Também pudera, foram seis anos naquele “chove não molha”. Eu achei que não conseguiria viver, mesmo que não tivesse estado com ele durante aqueles anos todos.

E sabe que eu até desisti? Sim! Como toda mulher após um fim, eu desisti dos homens. Dos relacionamentos. E eu estava decida a viver como Bridget Jones. Bem sucedida. Com a minha casa. E morrer comida pelos cães ouvindo “All by my self”. Dramático não? Mas não parecia dramático naquela época. Não com a ferida tão acesa. Mas sabe... A ferida sempre sara. E teria sarado, mesmo que eu me tornasse a própria Bridget. Ah sim! Lembrando que eu sempre imaginava que não encontraria o meu Marc Darcy, nunca!

E então eu pensei em te sugerir uma coisa: vai pra longe. Vai pra longe como eu fui. Mas então eu lembrei que tu não tens para onde ir. Porque ele, inevitavelmente está no teu espaço. Naquele lugar que poderia ser o teu refúgio. E tu não tens para onde ir. Então eu pensei e vi que tu não precisas fugir. Tu precisas ser forte. Eu queria poder dizer mais coisas, mas eu, naquela época, me agarrei a uma coisa só. Lembra que naquela carta eu o pedia para decidir entre ficar ou ir embora? Ele decidiu. Em um telefonema, foi embora. E eu me agarrei naquela decisão e decidi também: não deixá-lo voltar. Seguir em frente era o que eu pensava em fazer. Porque eu sabia que, ali parada, a história nunca iria acabar.

E aí, quando eu estava triste por um monte de coisas, e na pior fase da minha vida, ele me apareceu. E tu lembras o começinho, né? Quando eu contei naquela terceira “festa do pijama” que estava trocando e-mails com um gaúcho. E lembras quando fomos para a Bienal? Que eu mal consegui me concentrar, pois sabia que, ao voltar para casa haveria um e-mail que seria definitivo? E foi. Naquele dia tivemos o nosso primeiro telefonema. E eu lembro que te contei isso. Como eu disse no início, foi a segunda chance que Deus me deu. E eternamente eu vou ter essa dívida com Ele.

Mas eu falei, falei e nem sei se disse alguma coisa que faz sentido. Basicamente o que eu tentei dizer desde o primeiro parágrafo é que não importa o que nos aconteça no caminho dessa vida, Ele sempre tem o melhor guardado pra gente! E eu sei bem que tu sabes disso. Afinal, lembra dos gêmeos? Aquilo era tudo uma brincadeira, mas eu sei que o que sentias não fazia parte da brincadeira. E eu sei o quanto doeu quando acabou. Lembras? Mas tu seguiste em frente. Porque é isso que a gente acaba fazendo. Seguimos em frente, a procura de um novo amor... E, quando menos esperamos, ele aparece.

E mesmo que não seja o “amor da sua vida”, vai ser alguém com quem vais aprender. Alguém que, de alguma forma, vai te moldar. E, na hora de conhecer aquele “amor da sua vida”, tu vais estar do jeito certo. Do jeito que tinha que ser para ficar com ele. E mais, vai ser na hora certa. E digo isso porque não tem coisa pior do que ouvir, “eu te amo, mas agora a gente não pode ficar juntos”. Ora essa! Então não tem que ser. Então não é ele. Porque quando for, vai ser a hora certa. E a gente vai saber. E vai sorri para ele com “devoção”, como tu me disse no e-mail.

Desculpa se me prolonguei demais. É que tu não imaginas o que teu e-mail fez comigo. E fiquei feliz em te ajudar. Te amo muito! E vê se fica bem, tá? Um abraço bem apertado da amiga de sempre!


Kariroca

8 comentários:

Candinha disse...

"Há o amigo cor VERDE. É aquele que em tudo RESSALTA a BELEZA da vida e põe ESPERANÇA nela. Ele nos ERGUE!" lembra desses amigos coloridos?? ;D eles foram, eles são e eles continuarão sendo o reflexo do amor do Criador nas nossas vidas. :]

por essa e tantas outras, MUITO OBRIGADA. ;*

Pollyanna disse...

Aaai, não consigo parar de choraar!
Li 3 vezes!!
Amei muito!

Katarine disse...

Lindo Kari!
Sem palavras!!
bjos!

*Lusinha* disse...

Você disse uma coisa certíssima: as pessoas passam na nossa vida para moldar-nos e preparar-nos para o que estar por vir.
Bjitos!

Dani Pedroza disse...

A amizade é mesmo uma coisa que mexe com a gente. É um amor mais calmo. É aconchego, acalanto, porto-seguro. E é sempre bom ver pessoas lembrando disso não pra serem consoladas, mas pra abrirem os braços e dizer "estou aqui". É piegas, eu sei, mas muitas coisas realmente legais o são. Bjs.

Auíri Au disse...

Saudades daqui...
Adoro adentrar nessas palavras..
Beijos

Érica disse...

Que linda, tua amiga vai sentir esse abraço em palavras.

Beijos

Candinha disse...

kariroca, cadê vc? saudade dos posts, das novidades! como é que tão as coisas do casório?? volta logo aqui pro blog! :D ;**