sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O acaso?

Engraçado como algumas coisas simplesmente acontecem. Eu andava pensando em umas coisas e daí uma conversa me chateou. E, por coincidência, eu acabei lendo uma frase que tinha tudo a ver com a conversa da noite anterior. E a frase me fez pensar em umas coisas. E lembrar algumas pessoas. E então, finalmente hoje eu conseguir assistir aos episódios de Dawson´s Creek que estão comigo a mais de um mês. E tudo isso, de alguma forma, se encaixa. E me fez pensar. Algumas coisas não valem à pena se dar conta, mas um momento ou outro a “ficha” acaba caindo.

Em 2007 eu decidi assistir a todos os episódios de Dawson´s Creek. Pela TV tinha assistido alguns, nas manhãs de domingo, mas eles sempre mudam a programação e nunca passam na ordem. Aluguei, aos poucos e, em um final de semana eu assistia aos 24 episódios de cada temporada. Assisti até a quinta, pois a sexta e última não tem na locadora. Fiz de tudo para o dono comprar, mas ele nunca se interessou. De tanto falar, um dos meninos que trabalham lá, fez a generosidade de gravar os 24 episódios e me dar em cd. Quase morri de tanta felicidade, mas só hoje consegui baixar o programa e assistir.

Eu gosto de Dawson´s. Desde criança, sempre gostei. É um seriado bobo, é verdade. Com aquele amor inocente. E, apesar de não gostar de Dawson e daquele jeito meloso e chato, eu gosto do tema principal da série: a amizade. Eles cresceram juntos, Pacey, Joey e Dawson. Com o tempo apareceu Jenny, depois Jack e então Audrey. E não importa o que aconteceu entre eles, ainda são amigos. Amigos mesmo, sabe? Daqueles que não importa mesmo o que aconteça, eles vão sempre estar um ao lado dos outros. Sim! Eu sei que é apenas um seriado, mas também sei que amizade assim existe.

E era isso que eu queria pra mim, sabe? Tenho amigas da faculdade, mas convenhamos, nas férias nem nos damos ao trabalho de nos encontrar. Sempre tem uma coisa mais importante e, como sabemos que nos veremos nas aulas, pra que ainda se encontrar no final de semana? Ainda me encontro com as meninas do colégio e elas são minhas amigas. Mas não existe a frequência. Estamos sempre ocupadas demais com a “vida adulta”, a faculdade, os estágios e os cursinhos, que quase não temos tempo de nos encontrar. Eu queria aqueles amigos que você encontra depois da aula, sabe? Pra comer uma batata frita e contar como foi o dia.

E então eu lembrei que talvez eu tenha tido amigos assim. Daqueles que a gente passava as férias inteiras juntos. Jogando bola, dominó, Máster. Já tive aquele grupo onde um deles era meu ex e, querendo ou não, sempre havia aquela pequena tensão entre nós. Mas eu pergunto: se eram tão amigos assim, onde eles estão hoje? E percebo que, se não sei responder, é porque alguma coisa está errada. Talvez eu tenha entendido tudo errado. Talvez aquilo não tenha passado de uma amizade de férias. Eu não sei. Se eu sinto saudade? Senti, até começar a duvidar.

E foi então que, enquanto pensava em tudo isso, no meio do estágio, eu digitei esta frase:

“Não conservo o menor ressentimento contra aqueles que encontrei no meu caminho. Corríamos todos atrás do prazer; o acaso nos reuniu; o acaso separou-nos. Hoje, que somos uns para os outros recordações vivas e bem tristes, devemos esquecer-nos mutuamente. Entre nós a estima, e mesmo a piedade seria uma irrisão.”

E Meu Deus! Como me fez bem ler esta frase. Eu guardei ressentimentos por algum tempo. Não guardo mais. "O acaso nos reuniu; o acaso separou-nos.” Fico perguntando: será sempre assim? Será que nunca poderei ter o meu Payce, a minha Jenny, Audrey, o meu Jack e até o Dawson, aquele amigo meloso? Então eu releio a frase que diz: “devemos esquecer-nos mutuamente”. Eles já devem ter me esquecido. Tratarei de esquecê-los também. Mas sempre na esperança que o acaso... Quer saber? Eu não sei se acredito no acaso! Mas quem sabe um dia eu não tenha amigos que vão além de um único ambiente?



Kari Mendonça

10 comentários:

Alexandre Fernandes disse...

Ah, não costumo esqueçer de todos. Sempre fica alguém guardado no coração. É uma pena que o acaso as vezes nos separa. São coisas inevitáveis, quando cada um vive a sua vida e segue seu rumo.

O reencontro é sempre muito bom.
Mas mágoa, guardar jamais.
Guarde os olhares, as vivências experiências, as alegrias e tudo o que você aprendeu com esses amigos.
=)

Beijos Kari.

Agostinho Lopes disse...

É assim mesmo, Kari...

Se diz que "até as pedras se encontram, né?"

Já aconteceu comigo de reencontrar amigos de infância com quem, por conta de uma briga, não nos falávamos desde criança. Nesse inesperando reencontro, houve um certo constrangimento, como se a gente ainda fosse criança e a briga não tivesse esquecida ou apenas ficado na infância... Depois disso, demos boas gargalhadas...

Beijo!

Jaya Magalhães disse...

Ao ler o título, lembrei do Los Hermanos:

"Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração..."

Depois li o texto. Vi algumas coisas minhas nas tuas exposições. Exceto quanto a 'Dawson's Creek'. Rs. Assistia raramente e achava muito drama, apesar de querer muito namorar Pacey. Rá! Haha.

O fato é que a gente perde mesmo muita gente. Mas quem tem que ficar, Kari, sempre fica. Eu aprendi isso. Amigos de infância, os meus, são meus primos. Apenas. Meus mais amigos, de uma vida inteira, são os do tempo de ensino médio. Na faculdade? Meu coração foi alimentado por duas, três preciosidades. Trago-as todas comigo. É necessário.

Eu carrego um sonho bobo, de viver uma relação como a de 'Friends' [meu seriado favorito, que já vi e revi inteiro, infinitas vezes, e ainda vejo]. Já vivi aquela cumplicidade por uns anos. E aquilo, aquela áurea se perdeu. Daí que fico querendo acreditar que um pouco da essência ainda sobrevive, mas sei que é mentira. E isso dói. Mas, enfim, sonhar pode.

Talvez aí entre a questão dos acasos. Ou não. Acho que tudo, no fim, depende da gente, e só.

Um beijo.

UMA MOSCA NA SOPA disse...

Pequena, admiro essa tua procura pela convivência com as pessoas. Seria ótimo se existissem dez pessoas como tu. Se quiseres que eu vá comer batata frita contigo, eu vou. Mas não poder ser no Mc, em?

Beijos!!!

Somente EU mesma!!! disse...

Oie Kari...

Quanto tempo!!! Eu sinto a sua falta e de quando conversarvamos pelo msn, mas tudo passa, e até a minha vontade de postar e visitar os amigos blogueiros estão ausente...
Tudo por minha culpa... Eu não tenho uma constancia de decisões e atitudes, vivo bem e mal ao mesmo tempo!!!
Quem sabe isso um dia acaba, né!?
Beijos

Janaína

Ignoto Jardim disse...

Menina, fiz uma coisinha procê no meu blog, quando puder, dá uma espiada, visse?
Um xêro.
Tia Jardim.

Dani Pedroza disse...

É isso. A amizade, assim como o amor, tem origem desconhecida. Há quem diga que é o acaso, há quem diga que é uma construção. O que sei é que temos que fazer nossa parte, nos manter abertos pra quem chega e cuidadosos com quem fica. O resto não depende de nós. Bjs, querida.

Candinha disse...

São tão preciosos os momentos que a gnt sai da vida "adulta" e se encontra pra lembrar da época do colégio né? parece que faz tanto tempo.. e na verdade foi ontem. a gnt vive tão ocupado, sempre.. horários não batem, uma mora tão longe da outra.. eu queria tanto poder participar mais da tua vida, principalmente pq esse é um ano decisivo, é um ano de despedida.. queria tanto saber tin-tin por tin-tin dos preparativos do casório, mas só consigo saber deles por aqui ou pelo e-mail.. vc tem tanto pra contar, eu quero tanto ouvir e contar ao msmo tempo.. tanto pra compartilhar né, kariroca? queria que o acaso conspirasse a nosso favor e a gnt se encontrasse assim, sem querer, em qq shopping, em qq sinal de transito.. seria um encontro casual cheio de sorrisos e alegria, independente do tempo corrido, de não nos vermos diariamente.. mas a gnt acaba confiando demais no acaso, né? acho que realmente n vale a pena acreditar nele, pq o que nos une às pessoas amigas não é o acaso, mas sim as mãos de Deus, e com Ele, nada é por acaso. Saudades! Um beijo.

Katarine disse...

Serve amigos blogueiros? Daqueles que estão sempre aqui e, de vez enquando vão e voltam? rsrsrs...
Sabe, tenho N amigos, que considero, pelo menos, no coração.
Mas alguns, mesmo estando um pouco distantes pelos 'acasos' da vida, nunca deixaram e nem deixaram de ser. Digo isso pq considero ter apenas 4 reais amigas. Mas não costumo falar com todas elas com frequência. Um mora no Rio, outra está na Guatemala, uma mora em um bairro vizinho e a outra é amiga de "bebezisse", nem de infância, rsrs. Mas ás vezes nos ligamos, falamos via e-mail, etc. quando podemos nos ver é uma festa. SEMPRE tenho saudades de todas elas. As fiz em momentos diferentes de minha vida. Tenho dois amigos: um fiz na facul, e tb quase não vejo mais. O outro, mora comigo. Divide a mesma cama.
Enfim... Acho que me perdi. rs.
Mas queria mesmo dizer que, às vzs, é legal nós darmos o primeiro passo. Talvez vc vai ouvir uma "que bom que vc ligou" tão feliz do outro lado do telefone, que sentirá todo o sentimento novamente. E se a pessoa não reagir positivamente... bom, aí, deixe pra lá. Vá curtir quem realmente se importa com vc.
Ufá! bjos!!

Alessandra disse...

Kari, antes de comentar sobre o texto, fui ler o que as outras pessoas tinham escrito, e concordo muito com o que Jaya escreveü: "...Talvez aí entre a questão dos acasos. Ou não. Acho que tudo, no fim, depende da gente, e só".
"O fato é que a gente perde mesmo muita gente. Mas quem tem que ficar, Kari, sempre fica".

E Dani: "...manter abertos pra quem chega e cuidadosos com quem fica. O resto não depende de nós"

E pra finalizar as cópias e começar a escrever meu comentário, colo aqui uma frase tua: "Mas eu pergunto: se eram tão amigos assim, onde eles estão hoje?"

E tu, se eras tão amiga assim, onde estás hoje?????? Kari, eu pensava como tu até um certo tempo, depois vi que a junção e a separação também passam por nossas atitudes. Você não se deu sozinha, nem eles sumiram sem o seu consentimento.