terça-feira, 20 de abril de 2010

Parque dos Sonhos

Aninha era uma menina ansiosa. Por muito tempo achou que aquilo não pudesse interferir ou prejudicar a sua vida. Tomava decisões, fazia planos e vivia de forma intensa. Era uma criança feliz e sorridente. Até o dia que foi convidada para ir ao parque de diversões. A felicidade tomou conta da sua alma. Não iria imediatamente, faltava ainda dois meses. Mas só em saber que iria para o parque que tanto sonhava, já a deixava radiante. E pela ansiedade, ela não conseguia se controlar. Aninha contou a todos sobre a ida ao parque de diversões. Cada pessoa que encontrava, ela sorria e contava a novidade. Todos sabiam como tudo aquilo era importante para aquela jovem menina.

Os dias foram passando e Aninha não conseguia pensar em outra coisa. Fazia planos para a viagem, imaginava a roupa que usaria, e até a ordem dos brinquedos que iria. De todos, o que mais gostava era a roda gigante. Sentia-se bem no alto, com o vento batendo no rosto. Era bom olhar de cima e ver todo o parque, todas as pessoas e as luzes. Gostava de ir duas vezes, no mínimo. Durante o dia e, principalmente á noite, quando tudo parecia mais bonito, mais brilhante. O rosto daquela menina nunca estivera tão bonito, era a felicidade por se sentir realizada, antes mesmo de realizar.

A ansiedade continuava tomando conta daqueles pensamentos. Não conseguia parar de pensar em tudo aquilo. Um dia, quando faltava menos de um mês, Aninha viu no noticiário que o Parque dos Sonhos havia fechado as portas. Elas não acreditou. Não é possível, pensou desesperada. Ao olhar em sites e em tudo o que procurava, a informação se confirmou. O parque havia fechado e uma dúvida que rondava a todos: seria o parque aberto novamente? Ou foi uma decisão definitiva? A cada pergunta, a cabeça de Aninha ficava mais confusa. Cada dúvida causava uma dor, mas dor maior era saber que não poderia ir ao parque.

Sentiu a sensação de estar na roda gigante no momento em que faltou luz. Imaginou que o mundo havia parado e, de repente, não sabia se a roda gigante voltaria a girar. Chorou durante dias. Era tristeza e um pouco de vergonha. Triste por ver todo o seu “castelinho”, que estava construindo com tanto cuidado, destruído. Uma amiga havia feito aquela metáfora. Outra coisa que a angustiava era o alarde que havia feito. Disse a todos sobre a sua ida ao parque e agora, precisava dizer-lhe que não iria mais. Não queria falar com ninguém sobre aquilo, ainda machucava bastante, mas as pessoas acabariam perguntando e, uma hora ou outra, ela precisaria falar sobre aquilo.

Com o tempo, Aninha percebeu que talvez tenha sido uma coisa boa. Quem sabe o que poderia acontecer se fosse ao parque naquele dia prometido? Achou até melhor que não tivesse ido. Ainda não conseguia não se entristecer pelas mudanças repentinas, mas ela precisa se levantar e seguir em frente. De uma forma ou de outra, aquele sempre seria o seu parque preferido. Se não pode ir naquele dia, iria em outro. Ou não. O importante era se manter forte. Era difícil ainda, mas estava conseguindo. O que restava agora, era esperar os dias. Sempre ouvira que nada era como o tempo. Só ele poderia dizer qual caminho seguir e se o parque voltaria ou não a funcionar normalmente.




Kari Mendonça

6 comentários:

Érica disse...

Já já esse parque anuncia com seus alto falantes embaixo de nossas janelas sua chegada triufante. E vai ter bailarina, trapezista, equilibrista e maçã do amor.

Dani Pedroza disse...

Kari, faz um favor? Diga a Aninha que a tristeza é normal, é até útil. Mas a vergonha não. Não é vergonha estar feliz por algo bom que vai acontecer. Muito menos, se frustrar quando a coisa não se concretiza. Dividir a felicidade, alardear a alegria, nada disso é motivo pra se envergonhar. Muito menos, o fato de, às vezes, as nossas expectativas não se concretizarem. Tudo isso faz parte de quem está vivo. E quer saber? Quem não entende essas coisas já morreu e não sabe. Bjs.

♥ Cαmilα Girαssol disse...

A Aninha é bem parecida comigo, e o parque pode ter outros nomes...


Muito bem escrito querida.

BeijOcas

Alessandra disse...

Ihhhhhhhhhhhh esse parque ainda reaparece tão mais grandioso!

Agostinho Lopes disse...

Pois é, Kari... Nunca sabemos o que poderia ter acontecido num "momento seguinte" que foi evitado por motivos sob os quais não tínhamos controle, quando o que mais desejávamos era exatamente que se realizasse?

Como dizia Raul Seixas, poeta visionário, quem sabe "a morte nos espreitasse naquela esquina"... hehehe

Belo texto, como sempre!

Beijo

Candinha disse...

que coisa linda, kari; muito bem escrito, como sempre. e profundo, muito profundo. dá pra cada leitor se identificar e absorver grandes lições com a história da Aninha. Adorei! =]

saudades de vc, lindona!
vou arrumar tempo esse fds pra te ligar! um xero.