segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu fico por aqui.

Foram quatro anos. Trezentas e cinqueinta e quatro postagens. Um amor. Várias despedidas. Muitos acontecimentos. Inúmeras lágrimas. Eternos sorrisos. Muita dor. Muito amor. Alguns sonhos. Outras desilusões. Vários amigos "virtuais". Uma amiga que saiu do "virtual" a muito tempo. Inúmeras palavras contra, a favor, elogios e reclamações. Uma vida. A minha vida colocada para fora em cada palavra, em cada post, em todos esses anos. Minha despedida.

Eu poderia dizer que o semestre será corrido. Que tenho um TCC para preparar e não terei tempo com o blog. Mas não seria verdade. Nem mentira. Não seria de todo uma verdade. Despeço-me porque não sei o que dizer. E não adianta ficar dizendo que voltarei mais tarde, que voltarei amanhã ou que voltarei quando tudo estiver bem. Talvez eu até volte. Mas agora eu não tenho o que dizer. Ou até tenho, mas pela primeira vez em muito tempo, eu quero guardar só para mim. Não quero que todos saibam quando uma lágrima cair dos meus olhos. Ou quando eu conseguir aquele emprego dos sonhos.

O blog me ensinou muito. Mas talvez a vida tenha me ensinado muito mais nos últimos tempos. Eu ainda sou daquele tipo que compra uma agenda no começo do ano só para escrever como foram os dias e poder ler anos depois. Este ano eu comprei uma, depois de alguns anos sem comprar. Tinha um objetivo: escrever sobre um dos melhores anos da minha vida. As coisas sairam do controle. Começei a descrever os dias mais terríveis. Tristes. Dolorosos. Cheguei a pensar em parar de escrever, mas por algum motivo, continuo. Ainda espero, antes de dormir escrever que tudo não passou de um sonho ruim.

Mas uma coisa é escrever só para mim. Outra, bem diferente, é escrever para quem quiser ler. Eu não quero mais. Não quero que saibam como andam as coisas. Não quero que saibam das minhas dúvidas. Das minhas esperas. Não quero que o mundo inteiro saiba do que se passa comigo. Preciso aprender a viver a minha vida sem ouvir a opnião de todos. Sem perguntar o que todos acham. E sem dizer a todos o que está prestes a acontecer ou não. Porque uma coisa é dizer para qualquer um que a vida não sai como planejamos e que precisamos seguir em frente. Outra bem diferente é tentar nos convencer de tudo isso.

É que, de repente, pareceu errado dizer tudo que eu sinto. Ou dizer o que penso. O que sonho. O que quero. E, para não ficar poudando as minhas palavras e meus pensamentos, eu vou ficando por aqui. Sentirei uma saudade sem tamanho, pois esse não é mais um blog qualquer, é o meu refúgio. Foi o meu refúgio, meu descanso. Meu poço de desabafos. Meu canto predileto do mundo inteiro. É com lágrimas que me despeço.

Kari Mendonça

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um relato pessoal

A emoção tomou conta de mim. Não é todo dia que se recebe um e-mail que cause tanto impacto. A pouco menos de um mês, recebi um e-mail pedindo o meu texto Um Relato Pessoal, escrito em abril de 2008. Como o blog é bloqueado, para ter acesso a um texto (em mãos, digamos assim) é preciso me pedir, mas isso nunca tinha acontecido, até então. Foi um susto abrir a Caixa de Entrada e me deparar com um comentário de uma professora, Ana Paula, de Minas Gerais, pedindo o texto para levar para seus alunos. Fiquei na dúvida, confesso, mas enviei e pedi um retorno.

Hoje, ao abrir a Caixa de Entrada, encontro um e-mail da Ana Paula, com o retorno do que aconteceu:

“Olá!!! Boa tarde!!!
Conforme sua solicitação estou te dando um retorno sobre como foi o trabalho com seu texto.

Os alunos adoraram...... Os comentários foram bem marcantes... Uma aluna se identificou muito com o texto pois viveu algo parecido com seu avô.

Daí os alunos fizeram suas próprias produções. São alunos do 8º ano (tem entre 12 e 13 anos)!!!
O resultado foi bastante satisfatório!!!”


Eu quase chorei, de verdade. Imagina pensar que vários alunos leram um texto do Botando pra fora? Nossa que orgulho! E mais ainda é pensar que não foi um texto qualquer. Não foi um conto, mas foi, de fato, um relato pessoal. Um texto que causou muito na minha vida. Que afastou pessoas. Que destruiu relações. Mas que ainda assim é importante por ser verdadeiro. Cada palavra e cada vírgula escrita é algo que sinto, senti e vivi. Cada palavra é um pedaço da dor por aprender da pior maneira possível. E hoje, após receber o e-mail da Ana Paula, percebi que é bom demais saber que aquele texto foi importante para tantas outras pessoas.

Obrigada a todos que me visitam.


Kari Mendonça