segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ser ou não ser feliz?


Em um período da minha vida, lá pelos meus dezessete anos, me surgiu uma dúvida. A frase que eu criei ficou por meses me atormentando. “Afinal, felicidade é um estilo de vida ou um estado de espírito?” Recentemente, no entanto, outras dúvidas surgiriam a respeito da tal felicidade. Uma pessoa “é” feliz (com momentos tristes e/ou infelizes) ou “está” feliz? Depois de tudo eu cheguei a pensar que a felicidade era uma utopia. Que todas as vezes que eu pensei “senti-la” não foi de verdade. Não foi real. Mas então eu estragaria tudo que tive e que vivi e isso não seria justo. Nem comigo, nem com os que estiveram no meu caminho.

E foi quando eu me lembrei dele, do Leoni. Aquele que sempre me faz refletir com suas músicas. E então eu me dei conta que nunca saberemos o momento em que a felicidade estiver presente. Claro que ás vezes ela é visível (no casamento da minha irmã, por exemplo, só de olhar o brilho nos olhos dela, eu vi que aquele era um momento feliz), mas nem sempre. Quer dizer, em meio a dias tristes podemos sim ter dias felizes, momentos felizes. Mas talvez não consigamos percebê-los. Porque esses momentos só serão, de fato, visíveis quando os olharmos depois, através das fotografias. Ou dos e-mails. De uma carta. Uma mensagem. Não importa.

São momentos felizes que nos farão sorrir dias, ou até anos depois. Na última semana, mexi no meu álbum de fotos e a cada fotos dos meus avôs, uma lágrima caiu dos meus olhos. A lágrima era por saber que não poderemos mais ter momentos como aqueles. Mas junto com elas, abri um sorriso e me alegrei ao perceber os tantos momentos juntos que tivemos. E é fato que eu fui feliz cada vez que fomos ao shopping só para tomar um café. Ou quando fomos caminhar no campo de golfe. Ou quando discutíamos antes do jantar. Eu fui feliz em cada um daqueles momentos e hoje eu percebo isso.

E não é porque algumas coisas não deram certo que eu vou desmerecer tudo o que aconteceu. Hoje me perguntaram sobre a “blogosfera” e eu respondi que quase casei por causa dela. Paula ficou surpresa e perguntou se deu certo, eu respondi que não, afinal, não casamos, não vamos casar e não estamos mais juntos. Mas então Érica disse: claro que deu certo, foram três anos que deram certo. E aquilo me fez perceber que, não importa que estejamos separados, pois fomos felizes juntos durante aquele tempo. E eu tenho as fotos para provar (mesmo que sejam apenas as fotos da memória).

“E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz

Em meio a tantas coisas e tantas angústias, uma manhã na praia com grandes amigas me fez perceber que eu sou feliz não importa o quanto esteja sofrendo por algo. E mesmo que eu não consiga sentir isso hoje, as fotos no quarto ou na memória, servirão sempre para me provar que, não importa o quanto as coisas estejam saindo do controle, eu fui feliz e posso estar sendo sem saber (ainda).


Kari Mendonça

6 comentários:

anexaai disse...

Um pequeno texto que li hj, pouco antes de ler teu blog, da Cris( do Blog Para Francisco)

"Estranho eu me lembrar disso hoje, filho. Do dia em que olhei para o corpo do seu pai sem vida e deparei com a tatuagem no braço: "alegria". Ali, a alegria não fazia mais sentido. Então resolvi tatuar em mim. Para dar à alegria um sentido novo. E foi assim que aprendi: as pessoas vêm e vão. A alegria fica. "

Que bom que voltastes.
Seja novamente, bem vinda, à vida.
bj0

Agostinho Lopes disse...

Viva a felicidade...
Viva eu...
Viva tu...
E viva o rabo do tatu...

Homens são tolos.... mulheres também!! disse...

ótima reflexão sobre a felicidade. Vale lembrar que a felicidade não é o resultado final, mas sim todo o processo, feito de vários momentos felizes que não necessáriamente resulta na explosão da felicidade total.
O nosso problema é que fomos criados com a ilusão do "felizes para sempre".
bom voltar aqui....

Marcus Vinícius da Silva disse...

A felicidade é um negócio complicado e gente muito importante discorda sobre ela, então porque não podemos discutir também, não é? hehehe

Uns dizem que na verdade felicidade é um estado negativo: que é feliz aquele que não é triste, ou que o normal é a tristeza, e a sua ausencia seria considerada felicidade.

Eu não sei. Só sei que eu quando eu estou feliz eu estou feliz, positivamente ou não, e tu faz muitíssimo certo em lembrar dos momentos felizes. Se eles fossem para ser vividos apenas uma vez, não valeria a pena vivê-los: por isso é tão bom revivê-los, ao menos na lembrança.

Beijão!

*Lusinha* disse...

Esse seu post relata o que tenho constatado comigo mesma ultimamente. Estou perto do aniversário de terceiro mês que terminei meu namoro e até agora não consegui superar por completo esse momento triste. Entretanto, realmente, nem sempre percebo meus momentos de felicidade, geralmente estou "afogada" em alguma dor. Só que no dia seguinte ou no fim do dia eu me dou conta das risadas que dei, dos momentos bons que tive e fico feliz de saber que não estou tão afogada assim.
Bjitos!

Cândida Ramos disse...

acho que quando a gente menos percebe a felicidade, mais ela se faz presente. quanto mais discreta ela parece ser, mais intensa talvez ela seja. pq isso faz dela ainda mais especial, ainda mais importante. isso faz da felicidade ainda mais FELIZ.

te amo, kari! ;*