terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Carta para minha avó

Sei que não vais ler esta carta, mas te escrevo como desejo de te ter por perto. Quero te contar tantas coisas. Senti tua falta, mais que nunca, na última semana. Quis de abraçar forte. De dar um beijo! Quis o teu carinho. Chorei. E hoje, como sempre, a saudade aumentou. A dor fica inexplicável. E eu odeio reviver todos aqueles momentos novamente. Sim! Eu os revivo todos os anos. E sempre choro. Mas, por um momento, eu não vou chorar, eu vou imaginar que estas naquela cadeira de balanço, e vou te contar algumas das coisas que aconteceram.

Vovô está doente e está internado há mais de 130 dias. Ele passou algum tempo na UTI, saiu. Voltou e saiu de novo. Pegou aquela superbactéria, a KCP, mas conseguiu combatê-la. Acredita que o médico deu a ele 10 dias de vida? E isso já faz um mês. Agora ele está bem melhor. Mais lúcido e até falou da senhora esses dias. Disse que tinhas comprado uma televisão igual a do quarto do hospital. Ele leu a dedicatória que fiz a ele e a senhora no meu relatório do TCC. Acho que até ficou emocionado. Sinceramente? Eu não sei se ele se recupera 100%, mas sinto a falta dele.

Natália casou. Sim! Em agosto, e a festa foi aqui em casa. Estava tudo muito bonito. O marido dela, Cláudio, é uma pessoa ótima. Todos gostamos dele e ele gostou também de todos nós. Vovô conheceu ele, mas quando iam sair para jantar, ele acabou cancelando. Não sei o motivo. Mas a casa dela é linda e super arrumadinha. Ela até comprou uma cachorra e parou de se sentir sozinha. Esta tão feliz que seja dá gosto de ver.

Eu acabei a faculdade. Aposto que a senhora teria ido a minha apresentação do TCC, mas eu te imaginei lá. Senti tanto a tua falta! Queria que tu fosses a capa da minha revista. A minha nota foi boa, sabe? Não foi um 10, mas eu sei os motivos e já aprendi as minhas lições nessa caminhada. Da próxima vez farei melhor e te darei ainda mais orgulho. Pode acreditar!

Os meus pais estão bem. Mainha também sente muito a tua falta. Todas as vezes que vamos ao hospital, o coração aperta. Seria bom se tu estivesses aqui. Estarias cuidando de vovô como só tu sabias fazer. Sei que ele também sente falta. Pode não dizer, mas sei que sente. Painho está bem no trabalho e agora viaja menos do que antes. Estamos ajeitando a casa, aos poucos.

Tenho que te confessar que algumas coisas não vão bem. E não gostarias de saber de nada disso, mas não tenho culpa e não posso mudar o pensamento de todas as pessoas. Mas, no que posso, estou fazendo tudo certo. Do melhor jeito. Sinto tua falta, e sei que sentirei até o fim. Te amo, vó!



Kari Mendonça

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Eu já... (Parte III)

Eu já amei quem não me amava.
Já noivei com um churrasco.
E já quase casei com um festaço!

Eu já passei uma tarde inteira na piscina.
Já fui na praia e não entrei no mar.
Já fechei os olhos e respirei o sol.

 
Eu já joguei dominó na praia.
Já esqueci o protetor,
e já torrei o corpo inteiro.

Eu já falei o que não devia.
Já revelei um segredo que não podia.
E já escrevi e-mails gigantes para contar as novidades.

Eu já comprei uma carteira de cigarro*.
Já analisei um pacote de camisinha no supermercado*.
E já comi no MC´Donalds só para tirar uma foto*.

Eu já acordei chorando porque não queria ir trabalhar.
Já dormi chorando porque não tinha estágio.
E já morri de rir com colegas de trabalho.

Eu já fiz amizade com quem nunca achei que faria.
Já sai para jantar com quem jamais imaginaria.
E já fui até na pizaria só para conversar.

Eu já marquei encontros porque senti saudade.
Já escrevi e-mails depois de reler cartas.
E já chorei em frente ao computador.

Eu já vi quem tanto amo morrer aos poucos.
Já quis chegar perto e não cheguei.
Já quis ir embora, e mesmo assim fiquei.

Eu já realizei um sonho.
Já andei de avião.
E já conheci o lugar que eu tanto queria ir.

Eu já quase me engasguei de tanto chorar.
E já achei que fosse morrer de tanto rir.

E claro, eu já fui (sou) muito feliz!


Kari Mendonça
* Situações que passei pelo meu TCC!