sábado, 5 de fevereiro de 2011

Para minha irmã mais velha

O que eu mais queria era te encontrar. Poder te abraçar bem forte e te dizer que eu estou aqui para qualquer coisa que precisares. Eu queria poder te dizer que tudo vai passar, que vais ficar bem e que logo tudo estará no seu devido lugar. Mas sabe, eu não posso. É que não seria verdade saindo da minha boca. Não agora! Eu só queria poder te dizer como as coisas, provavelmente irão acontecer. Assim como aconteceram comigo. Mas opa! As coisas ainda estão acontecendo. Porque, acredite, eu sei bem o que estas sentido. E dói! Minha nossa como dói!

E não vai parar de doer. Por um bom tempo ainda vai doer muito. E vais chorar lágrimas que nunca imaginastes ter. E por muitos dias, talvez meses, tu ainda vais tentar entender tudo que aconteceu. Mas não adianta. Nunca haverá uma explicação. Ou, pensando bem, é muito melhor que você jamais saiba. Acredite, não é tão bom saber. Machuca mais, só isso. E é inútil, de verdade. Por muito tempo ainda vais ficar se perguntando o porque contigo. E, quando pensares assim, lembra de mim.

Lembra que não foi só contigo. Foi comigo também. E com tantas outras pessoas. E assim como elas, e como eu, tu vais conseguir seguir em frente, apesar de tudo. Apesar do que parece hoje. Sim! Porque eu sei que hoje parece que tudo desmoronou. E, de certa forma, desmoronou mesmo. Mudou tudo. E todos os teus planos, sonhos foram destruídos. Vais procurar o chão e, algumas vezes, será difícil encontrar, mas, na hora certa, tu o encontrarás.

No primeiro momento, como bem já deves saber, o primeiro sentimento é a raiva. E por mais que você tente mantê-la na intenção de fazer o sofrimento diminuir, não adianta. O sofrimento continua. A raiva diminuiu (acredito que um dia irá desaparecer). E a saudade chega e com ela, o sofrimento já é menor, mas ainda presente. E ela vem de vez em quando. Mas vem e dói. E nos trás todas as lembranças dos acontecimentos que não mais acontecerão.

E, cedo ou tarde, as datas chegarão. Sim! Aquelas datas que planejamos tão especiais. E sabe, elas podem acabar igualmente especiais, mas não como havíamos planejado. Comigo, pelo menos, foi assim. O dia chegou e teve festa. Eu não casei, mas me diverti horrores e só lembrei qual data era aquela quando o dia já estava acabando. E ai doeu um pouco. Deu saudade. Mas passou. E o dia passou. E eu tive que continuar. E tu também precisarás continuar, porque a tua vida é muito mais que isso.

Quando essas coisas acontecem, a gente acaba descobrindo tantas coisas. Eu, por exemplo, descobri que tenho amigos e primos maravilhosos. E minhas amizades se fortaleceram como nunca imaginei. Hoje passeio muito mais. Já conheci tantos lugares novos. Já sorri demais, como não fazia há tanto tempo. Aprendi a valorizar quem não valorizava como deveria. E a amar quem tanto me ama. E ás vezes eu me pergunto se não poderia ter sido menos doloroso todo esse aprendizado e mudanças. Mas não foi.

E eu só quero te dizer que eu estou aqui! Não pra te dizer aquilo que todos dizem. Mas para te abraçar bem forte e dizer que podes contar comigo. Para todos os momentos. Nos momentos da raiva, da dor e até quando a saudade bater e não quiseres pensar nela. Eu estou aqui, não esquece!

Beijos,
Kari (a irmã do meio)  

4 comentários:

C. disse...

Que legal esse ombro dado, essa mao estendida Karitia.

As irmas normalmente esquecem que podem se dar as maos, as vezes viram até inimigas né.

Tenho 4 irmaos, creio que pela idade todos já passaram por todas as situações que a vida nos coloca, e no fundo sonhávamos em ter amenizado a dor de cada um, como vc fez nesse texto.

E sim, as dores passam, todos sabemos, só que enquanto estamos sentindo é que sao elas.

Espero tua irma saiba estufar o peito e seguir em frente, porque esse é o caminho agora.

A sua viagem tá em pé?

Bjim

Alexandre Fernandes disse...

Algumas coisas acontecem e por mais dolorosas que sejam, os trazem importantes lições, ou uma força capaz de nos impulsionar a desbravar novos momentos.

Essa é a chave para realmente aproveitarmos até o que nos foi tirado. Porque até quando perdemos podemos ganhar, basta que saibamos perceber os caminhos oferecidos, e os tesouros escondidos.


Kari, fiquei um tempo longe de blogs, parei de escrever, mas voltei. E pra ficar! Passa lá no blog para tomar um chá, ou cafézinho.

Senti saudades tuas.

Beijim. Te adoro!

Homens são tolos.... mulheres também!! disse...

Não é fácil, quando as datas planejadas chegam sangram. Quando algum sonho se realiza e vc estava sozinha nesse acontecimento dói.
Vai passar? mentira, não passa, ameniza apenas.
Alguém já disse que o tempo não cura tudo, aliás o tempo não cura nada, ele apenas tira o incurável do foco das atenções.

beijos

Jaya Magalhães disse...

Kari,

Passei o olho em alguns textos antigos e consegui entender o que você me contou no facebook [que eu deletei, né]. Bom que agora o sol já vem aparecendo. (:

Seu texto pra sua irmã é lindo. E poderia ser para tantas outras pessoas, sabe? O bom é isso, quem lê sai satisfeito e mais leve. Graças a ela. Graças a você.

Tudo passa, né? E só o que é bom circula.

Beijo grande.