terça-feira, 15 de maio de 2012

Você nasceu!


Hoje a vida ficou mais bonita. O sol se pôs sorrindo. Você nasceu, Chiara! E com tão pouco tempo, já enche toda a sua família de uma alegria inexplicável. Mas antes de lhe contar sobre o dia de hoje, deixe-me fazer um pequeno resumo de tudo o que aconteceu desde a minha última carta.

Seus pais estavam cada dia mais felizes. Em meados de fevereiro, mudaram-se para um apartamento maior e antes que eu fosse embora seu quarto já estava arrumado. Logo depois a sua mãe arrumou a decoração da parede e tudo ficou pronto para sua chegada. Os meses foram passando, você começou a crescer mais e mais. Cada vez que via a barriga da sua mãe, lembrava-me do dia em que a sentir chutar. E me apertava o coração por não estar perto.

Ao perceber a barriga crescer sem parar, comecei a duvidar da previsão médica. Eles diziam que você chegaria em 30/05, mas eu disse que era muito tempo e sabia que você estava apressada. Fizemos uma aposta: eu e seu pai concordamos que você nasceria no dia 15/05, sua mãe apostou em logo após o dia 20, sua avó opinou com o dia 28/05 e seu avô, com tamanha ansiedade, só queria que você viesse logo. No último domingo, dia 13, perguntei a sua mãe se tudo já estava pronto, pois “avisei” que ela iria para o hospital na noite da segunda-feira e você iria nascer na terça, dia 15. Todos rimos com a piada.

Até que recebi a informação de que sua mãe havia ido para o hospital, ontem, dia 14. Meu Deus! Eu pensei. Mas logo comecei a me preocupar. Com tudo bem, fomos dormir, até que sua avó me acordou ás 2h56 da manhã para falar que a bolsa havia rompido. Você chegaria hoje, isso já era certo. E por mais que quisesse me alegrar por acertar, a agonia tomou conta de mim, de nós. Nós que não pudemos estar com vocês.

E as horas foram passando e seu pai não telefonava para dizer que você havia nascido. Então telefonei. E passei a telefonar a cada duas horas. Tudo estava bem, era o que ele sempre afirmava. Mas eu não tinha como saber. Ele poderia não querer nos preocupar. E eu precisava saber de você, da sua mãe. E o dia passou devagar como nunca. E as horas machucavam a alma. Até que, por volta das 15h30, quando mais uma vez resolvi telefonar, seu pai atendeu, emocionado. “Ela nasceu”, ele disse. Mas eu já sabia porque pude ouvir seu choro (e que choro!) do outro lado do telefone.

Naquele momento não consegui falar mais nada. Passei o telefone para sua avó que, ao ouvir seu choro, começou a chorar. Chorávamos nós duas no quarto. Sua mãe disse que estava bem e que você estava bem e pelo seu grito eu pude sentir que você realmente estava bem. Você chegou ao mundo hoje, dia 15 de maio de 2012, em Pordenone, ás 20h30 (no horário da Itália), pesando 2,600 kg.

Eu ainda não vi nenhuma foto sua, mas já choro por sentir a sua falta. Lamento por não estar lá quando você chegou. Por não ter tirado uma foto sua. E por não poder carregá-la no colo, mesmo que por alguns instantes. Minha pequena! Você foi muito esperada e já é muito amada. Nós aqui no Brasil, estamos ansiosos para te ver, mesmo que por foto. Estamos ansiosos para saber como você é. Mas nenhuma ansiedade vai mudar o fato de que estamos todos completamente apaixonados por você!

Te amo muito,
Tia Kaká


Foto recebida no dia 16/05!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dos diálogos que nunca irão acontecer

- Oi! Tudo bem?
- Oi! Tudo sim, e com você?
- Tudo bem também... Olha... (pausa demorada)
- Oi?
- É que eu acho que precisamos conversar...
- Não acho que tenhamos nada para conversar. Mesmo!
- Mas eu queria me desculp...
- Ah não! Realmente não é necessário.
- Mas...
- Mas, você não precisa se preocupar, afinal, não é como se realmente tivéssemos tido alguma coisa, não é mesmo?
- Claro que tivemos, quer dizer...
- Não! Nós saímos algumas vezes, mas o fato de eu ter me apaixonado, é problema só meu.
- Eu não queria que tivesse terminado assim, mas você foi embora, e...
- Eu sei! Eu estou sempre indo embora e ninguém parece disposto a me esperar... Mas como eu disse, você realmente não precisa se preocupar porque o que tivemos não foi nada. Você mesmo me disse isso certa vez!
- Mas não queria que você ficasse chateada comigo.
- E não estou. Quer dizer... No momento, eu não sei o que estou sentindo a seu respeito, mas não é raiva. Só que também não é mais amor...!
- Nada?
- É! Quando eu me despedi, eu amava você. Mas a saudade e a angústia do seu desprezo, e saber que você já estava com outra (não que algum dia tenhas estado comigo), me fizeram perceber que você sempre esteve certo.
- Como assim?
- Nós não fomos feitos para ficar juntos. Temos planos diferentes. E eu? Bom... Eu quero alguém que sinta por mim o que você nunca sentiu. Alguém que me ligue na quarta-feira só para dizer que está com saudade. Que me abrace porque quer me abraçar e não porque quer mostrar aos outros que estou com ele. Alguém que seja, para mim, o homem que você nunca foi...
- Desculpe!
- Não por isso! Obrigada por me lembrar que eu realmente mereço quem, de fato, consiga me amar. Agora vai... Tem alguém em casa esperando por você!
- Nos vemos, então?
- Não, meu bem! Assim espero! Felicidades para você, é só o que desejo!


Kari Mendonca