sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dos diálogos que nunca irão acontecer

- Oi! Tudo bem?
- Oi! Tudo sim, e com você?
- Tudo bem também... Olha... (pausa demorada)
- Oi?
- É que eu acho que precisamos conversar...
- Não acho que tenhamos nada para conversar. Mesmo!
- Mas eu queria me desculp...
- Ah não! Realmente não é necessário.
- Mas...
- Mas, você não precisa se preocupar, afinal, não é como se realmente tivéssemos tido alguma coisa, não é mesmo?
- Claro que tivemos, quer dizer...
- Não! Nós saímos algumas vezes, mas o fato de eu ter me apaixonado, é problema só meu.
- Eu não queria que tivesse terminado assim, mas você foi embora, e...
- Eu sei! Eu estou sempre indo embora e ninguém parece disposto a me esperar... Mas como eu disse, você realmente não precisa se preocupar porque o que tivemos não foi nada. Você mesmo me disse isso certa vez!
- Mas não queria que você ficasse chateada comigo.
- E não estou. Quer dizer... No momento, eu não sei o que estou sentindo a seu respeito, mas não é raiva. Só que também não é mais amor...!
- Nada?
- É! Quando eu me despedi, eu amava você. Mas a saudade e a angústia do seu desprezo, e saber que você já estava com outra (não que algum dia tenhas estado comigo), me fizeram perceber que você sempre esteve certo.
- Como assim?
- Nós não fomos feitos para ficar juntos. Temos planos diferentes. E eu? Bom... Eu quero alguém que sinta por mim o que você nunca sentiu. Alguém que me ligue na quarta-feira só para dizer que está com saudade. Que me abrace porque quer me abraçar e não porque quer mostrar aos outros que estou com ele. Alguém que seja, para mim, o homem que você nunca foi...
- Desculpe!
- Não por isso! Obrigada por me lembrar que eu realmente mereço quem, de fato, consiga me amar. Agora vai... Tem alguém em casa esperando por você!
- Nos vemos, então?
- Não, meu bem! Assim espero! Felicidades para você, é só o que desejo!


Kari Mendonca

3 comentários:

iagomarcell disse...

O processo é árduo, é angustiante, é doloroso, mas o tempo e a força de vontade sempre estão aí para nos carregar até conseguirmos voltar a andar com nossos próprios pés. (Ah! malditos cabritos.) - desculpe, meu vizinho resolveu criar cabritos e não consigo dormir a noite com eles berrando.

Adorei linha que você escreveu.
Abraços,
Iago Marcell.

Carol disse...

pois eh amiga....as coisas da vida muitas vezes nos deixam mais tristes do que felizes de fato! mas, na verdade, o que realmente importa são as lições que tiramos disso e amaneira como encaramos estes aprendizados...levantar faz parte da nossa missão e agora eu vejo que precisamos dar valor ao que realmente nos traz algo de bom... construtivo...você é muito mais e muito além disso e nunca esqueça disso...você é muito importante pra muita gente e se em algum momento certas pessoas não perceberam isso é porque é cego pras coisas de Deus...te amo muito to sempre por aqui...carol

Gabriela Coutinho disse...

É o diálogo que toda mulher que um dia foi rejeitada, sonha em viver, eu já fui rejeitada e sonhei muitas vezes, um tempo tive pavor da rejeição, hoje não tanto, sei do meu valor, mas é assim, algumas pessoas não sabem o nosso valor...
Gostei bastante e realmente, dos diálogos que nunca vão acontecer, mas o melhor disso? O aprendizado!