sábado, 3 de janeiro de 2015

Eu sem "você"

Estava no carro, dirigindo para casa e, como sempre, pensando na vida, quando reparei que todas as músicas que haviam tocado na rádio falavam sobre "eu" e "você". E eu pensei, mas e aquelas pessoas que não tem um "você", como ficam? Quer dizer, a sociedade nos constrange de tal forma que as músicas não são feitas para as pessoas sozinhas.

Sim, porque não existe nenhum problema em ser sozinha. Ao contrário do que falam os poemas, as músicas, os romances, existe vida sem alguém ao lado. Existe sim! E pode ser temporário, ou não, o que importa é que as pessoas precisam entender e aceitar que algumas pessoas estão bem sem um telefonema diário para contar o dia. Ou sem uma mensagem de boa noite.

E, é importante lembrar que algumas dessas pessoas sozinhas (ou solteiras, dispenso rótulos), não estão assim por estarem com o coração partido (como tanto falam as músicas) e não, necessariamente, estão se lamentando por um amor que acabou. E nem sofrendo por algo. Acredite, as pessoas sozinhas não são pessoas tristes que vivem se lamentando (com raras exceções, claro!).

Ontem, ao me encontrar com uma amiga (em nosso encontro anual -  moramos em cidades diferentes, por isso, todo início de ano nos encontramos para contar as novidades), foi engraçado reparar a sua  surpresa quando eu respondi que não havia nenhuma novidade relacionada a relacionamentos. Em contrapartida, eu falei por horas sobre todas as outras coisas que me aconteceram no ano que acabou (e foram muitas, e intensas também).

Mas, veja bem, eu não sou daquelas pessoas mesquinhas que odeiam pessoas comprometidas (como o tão conhecido estereótipo das pessoas sozinhas). Pelo contrário, eu fico feliz quando vejo pessoas que se gostam juntas (e acho super fofo casais de adolescentes jurando amor eterno, mesmo que eles não saibam o que estão falando). E quando minhas amigas casam (sim! Elas estão começando a casar!!!), isso me enche de orgulho e felicidade. Porque foi o que elas escolheram e elas encontraram alguém que as faz feliz (eu posso desejar mais o quê?).

Ser sozinha, no entanto, tem suas vantagens. Nos últimos anos conheci lugares lindos. Posso dizer que conheci o mundo (verdade que foi uma pequena parte dele - bem pequena, eu sei, mas...). Tenho conhecido pessoas maravilhosas e me divertido muito. É uma pena que as músicas, os poemas e os romances não relatam essas coisas. Essas, de ser feliz e ponto.



Kari Mendonça 

2 comentários:

Camila disse...

A música pode nos ensinar que é impossível ser feliz sozinho, mas nem só de amores vivemos, neam? E a carreira, os amigos, as viagens?
Texto super bem escrito, Ka! Espero fazer parte de um desses encontros anuais, heim?! Prometemos há anos e nunca marcamos.
Grande beijo e um 2015 excepcional!

Priscilla Andrade Pontes disse...

Sinto que a famosa "dor de cotovelo" parece ser mais rentável para as músicas rsrsrs E concordo com você! Tb já pensei muito sobre isso nos períodos em que não estava em um relacionamento e não sentia a necessidade de estar. Por que o que vale, de verdade, é estar bem consigo mesmo!

Xêro,
Pripa

PS: Dá um saudosismo voltar a ler tua s coisas aqui =P