terça-feira, 24 de março de 2015

(Des)Enterrar Sentimentos

Os últimos dias tem sido um pouco difíceis para mim. Não é que eu esteja morrendo ou me acabando de chorar, não! Mas é que tive que vasculhar alguns assuntos que há muito coloquei em uma parte do cérebro e fechei (aquela que a gente fecha esperando nunca mais abrir, sabe?). 

O fato é que trabalho como social media (ou seja, com redes sociais), e recentemente uma cliente (blogueira) entrou em contato para que pudéssemos ajudá-la. Até aí, tudo ótimo. Acontece que o blog é sobre casamento e abrange todo o universo do noivado, os preparativos até o momento "mágico". Para enviar uma proposta eu tive que fazer a tal pesquisa de campo. 

E passei os últimos quatro dias em sites, blogs, fan pages e perfis no instagram de casamento. Há dias eu só vejo noivas, e bolos, e festas, e vestidos de noivas e noivos e todo aquele universo do qual eu não faço parte. E não é que eu esteja aqui triste por não casar ou não ter uma festa. Mas é que vivenciar tudo isso me remeteu à época em que esse universo fazia parte do meu mundo. 

Assim, acabei lembrando-me de coisas que já não lembrava mais. Da emoção de procurar um vestido de noiva que combine comigo e com a festa. Da agonia de planejar uma festa que seja a melhor e mais bonita. Da felicidade de mostrar a aliança as pessoas e esperar que o mundo inteiro sorria com você só porque você vai casar. 

E, querendo ou não, tudo isso lembrou-me da dor de cancelar tudo. Da vergonha de não conseguir olhar as pessoas nos olhos quando elas perguntavam como estavam os preparativos. Dos meses que passei dentro do quarto sem querer conversar sobre o que havia acontecido. Da angústia de não conseguir acabar com um sentimento mesmo quando tudo já havia acabado. 

Desde muito cedo, eu vivo uma prática que levo muito a sério, a de enterrar sentimentos, acontecimentos e, quando necessário, pessoas. Isso me ajuda a seguir em frente. Sem lembranças, não dói. Talvez por isso o fato de remexer com o assunto tenha me causado tanta agonia. 

Entretanto, repito, não é que eu esteja lamentando nem nada. Na época doeu (claro que doeu, oras!), mas, com o tempo, percebi que foi o melhor que poderia ter me acontecido. 


Kari Mendonça