terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Das coisas que aprendi



Quem me acompanha sabe que o último ano não foi dos mais fáceis. Arrisco-me a dizer que 2017 está no Top 3 dos anos mais difíceis de toda a minha vida! Lutar com a saúde não é fácil, mas quando se tem Deus ao seu lado, tudo se torna mais ameno e com gosto de aprendizado pelo caminho (não significa que não haverá luta, nem dores, apenas que haverá colo). Afinal, se tiveram três coisas que eu mais fiz durante todo o ano foram chorar, orar e aprender. A oração, muitas vezes, estava dentro das lágrimas e a lição, nem sempre veio da forma mais branda.
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Com a saúde debilitada e inúmeras limitações físicas e mentais, precisei me reconstruir e reaprender a viver. Aprendi que não há nenhum problema em pedir ajuda. Isso não te torna menor e nem pior do que ninguém. Quem realmente te ama vai estar sempre disposto a te ajudar. Também aprendi aquele velho clichê de que “é nas horas mais difíceis que você sabe quem são seus verdadeiros amigos”. Isso é fato! Porque enquanto você vive o seu pequeno inferno, a vida das pessoas segue e nem todos estão dispostos a fazer paradas no meio do caminho para saber como você está. E você também precisa entender isso.
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Aprendi que Deus é um Deus de milagres e que Ele faz milagres na vida de pessoas comuns como eu e você. O meu ano inteiro foi cheio de milagres. Cada consulta médica foi um milagre. Cada dia foi um milagre. Quase perdi a visão (Quase!). Quase precisei operar a cabeça (Quase!). Quase achei que fosse perder os sentidos - literalmente (Quase!). Quase bati com o carro quando percebi que não poderia mais dirigir (Quase!).
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Aprendi a receber elogios (parece bobo, mas eu nunca reagi bem a isso). Devido ao tratamento, perdi peso, e durante os piores dias da minha vida foi o período em que comecei a ouvir a frase “você está linda”. A princípio, isso me irritava, queria dizer as pessoas que elas não imaginavam o que eu estava passando para estar daquele jeito, mas com o tempo e através de algumas pessoas, eu percebi que aquela era uma forma de Deus me consolar. Era um “apesar de toda dor por dentro, você está linda por fora”. E então eu resolvi aceitar, e concordar, e comecei a sorrir mais e a ouvir mais vezes sobre o quanto estava bonita e isso tem feito os meus dias melhores. Ao aprender a receber elogios, aprendi a elogiar também.
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E mesmo em meio ao caos, aprendi que traumas não duram para sempre e mágoas podem ser perdoadas. E o coração, ah! Descobri que o coração sara! Que pode demorar o quão necessário for, mas ele sara e volta a amar. Em meio a escuridão dos meus piores dias, eu (re)aprendi a amar, mas o caos era tanto que só me dei conta um tempo depois. E não importa que não seja recíproco, Deus tem um tempo para tudo nessa vida e, finalmente, o tempo da minha disponibilidade afetiva acabou. E amar é bom, mesmo quando a gente precisa esconder ou guardar o sorriso para o outro não ver.
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O mais importante, entretanto, é que eu aprendi a confiar em Deus, como jamais havia feito antes. Mais uma vez Ele me mostrou que não importa os planos que eu faça, são os dEle que serão os melhores, e por mais que eu não os entenda, Ele está sempre me preparando para algo muito maior. E não importa que nós coloquemos as pequenas coisas nas mãos dEle, precisamos entregar nossa saúde, nossas vidas, nosso respirar à Deus e deixar que Ele tome conta de nós, pois só Ele vai estar conosco em todos os melhores e piores dias das nossas vidas.



Kari Mendonça

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